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JURISTA ABOLICIONISTA FEMINISTA

   A segunda vida
           de

Filinto 

Bastos

               "Morri, mas sigo vivo".

   

   Romance Histórico de Ninho Moraes

Para Jorge, Heloisa e Cora, 

filhos de Geraldo Alcântara Leal e Cora Bastos Leal 

Fiat iustitia, et pereat mundus

Immanuel Kant 

 

O direito natural não é a lei nem o ideal da lei: é a regra suprema da legislação. 

Se o legisladôr se apartar dele, faz uma lei injusta ou má.  

 Filinto Bastos

 

Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte.

BRÁS CUBAS

"UM MOÇO INTELLIGENTE, HONESTO E SOBRE TUDO, UM JUIZ RECTO"

jornal A Lanterna, 1887

O que se lê neste livro não tem valor algum, mas é trabalho meu e só meu. 

                                                                        em Bloco de Anotações

Meu nome é Filinto Justiniano Ferreira Bastos.

É uma prazer lhe conhecer.

Fiquei conhecido como recatado.

Minha vaidade estava embutida na imagem que de mim fizeram.

Deixei muitos livros e filhos.

Os filhos me deram alegrias e descendentes.

Orgulho-me das lutas pelo abolicionismo, pelas leis e pela defesa dos direitos da mulher.

Acho curioso alguém se interessar em escrever a minha "Segunda Vida". 

Quem sou eu, apenas um imortal da Academia de Letras da Bahia?

Quem fui eu, apenas um professor e diretor da Faculdade de Direito da Bahia?

Quem serei eu, apenas um amante das letras e das línguas?

Nunca escrevi um Diário. Achava mundano.

Já tive uma biografia, A Justiça através de um Juiz (S.A. Artes Gráficas, 1956, Bahia), de Fernando Alves, promotor que me colocou no banco de réus. Sai imune e inocentado, porque a delicadeza do autor poupou detalhes particulares e familiares. 

Concedo Habeas Corpus para ele e aguardo o veredito do meu bisneto, filho de Heloisa e Geraldo Leal, conhecido por Ninho. Apelido curioso. 

Corajoso. 

Dou minha benção.

Não virei padre ... mas reconheço que tenho jeito de beato. 

Boa leitura a todos.

Com esta pequena introdução...

CHUVA

Vai chover.

Em Salvador, as chuvas são intempestivas.

As tempestades, impetuosas.

Aqui estou protegido.

Na minha caixinha.

O espaço é pequeno.

De nada sinto falta.

Nem do ar.

Agora sou só eu.

 

ORDEM TERCEIRA

Cá estou eu na Igreja da Ordem 3ª Secular de São Francisco da Bahia.

 

O destino me quis aqui.

Entrei como figurante e como figurante permanecerei.

Ao lado de Carolina e de meus filhos João e Hercília.

Silencio sepulcral, se me permitem a liberdade poética.

 

A fachada da Igreja é atribuída ao mestre Gabriel Ribeiro, a quem me reverencio.

Que lindeza, que detalhamento, que delicadeza.

E que presteza. Tudo indica que começou a ser construída em 1º de janeiro de 1702 e finalizada em 22 de junho de 1703, embora a fachada só tenha sido entregue, completa, em 1705. Nem os mais ágeis engenheiros europeus conseguiriam tanta rapidez.

 

O Claustro é pura inspiração poética, apesar do drama retratado. Afinal, tem uma imensa coleção de azulejaria que revelam o terrível terremoto de 1755. O interior da Igreja é atribuído ao mestre entalhador José de Cerqueira Torres, que seguiu o estilo Neoclássico com talha dourada. Já o teto da nave só foi elaborado em 1831, com pinturas atribuídas a Franco Velasco, que as inseriu nos caixotões.

 

De lá, já iniciei algumas procissões, que tinham (ainda tem?) como ponto de partida a Sala dos Santos, com 25 nichos e um altar central. Aí, já obra do mestre entalhador Joaquim Francisco de Matos Roseira. Ares agradáveis na Sacristia pelo seu piso em mármore preto e branco, guarnecido por uma faixa de azulejos que reproduzem cenas urbanas de caráter profano. Ainda da primeira metade do século XVIII, um magnifico lavabo é feito em mosaico de mármore.

Só me resta dar uma suave reprimenda aos meus descendentes que deixaram cair algumas letras.

Virei Fi____tiniano _ erreira _asto.

 

Mas já recebi a promessa dos bisnetos de que será arrumado em breve.

 

Para chegar até mim, onde ora repouso, recomendo descer a escadaria de pedra original, também dos mil e setecentos e tanto, cujos azulejos reproduzem cenas de batalha bíblica.  

 

Serão muitos Degraus, como os que você enfrentará neste livro.

 

Agradeço a visita e a leitura...

 

‘NÓS’ 

Quem lhe ensinou a dar o laço do sapato?

 

Aprendi com Rita – e mais tarde você descobrirá quem foi. Talvez o primeiro grande aprendizado de uma vida. Esticar o cadarço, dar o primeiro nó, puxar o laço e apertar. É bem mais simples do que os ‘Nós Górdios’ que vi nos navios e vapores que peguei. Também os Nós Górdios da Justiça brasileira que tive de desfazer.

 

Nem eu nem você somos ‘frigios’.

 

Caso você chegue ao final do livro, explico porque estou falando sobre isso.

Neste tabuleiro de uma vida, iremos vencendo etapas.

 

Reza uma lenda grega:  O oráculo da cidade de Telmesso decretara que o próximo habitante a chegar em um carro de boi deveria ser ungido a rei. Os frigios tinham perdido o seu – e não havia descendentes.

 

Pois bem. Quem adentrou a cidade, justamente toureando um carro de boi, foi o camponês Górdio. Górdio tinha um filho Midas, mais tarde muito mais famoso do que o pai por transformar em ouro alguns objetos que tocava.

 

Para homenagear o destino familiar, Midas mandou suspender a carroça paterna para que ficassse exposta. O nó precisaria ser inextrincável. Criou-se o nó górdio.

 

São tantos os NÓS que precisamos destrinchar ao longo da vida que, como dito acima, vou deixar para o final.

BOAS VINDAS

Como escreveu Mark Twain, citado pelo próprio biografado em um de seus livros:

– A história não se repete, mas rima.

Os alunos do professor Filinto Bastos acertavam os ponteiros dos relógios pela entrada em sala de aula.  

Vou acertar pelo meu.

O livro que você começa a ler ainda não tem um PONTO FINAL.

É um romance histórico sobre as vidas de Filinto & Carolina.

Trata-se de um "trabalho em progresso" a partir do Projeto Filinto Bastos, que Isadora Leal (filha de Jorge, filho de Cora, filha de FB) e eu criamos para prestigiar e eternizar as boas lembranças e recuperar e resgatar as memórias perdidas (leia mais no tópico 'Ninho & Isadora, os Leais', aqui no site).

A primeira versão digital, em PDF, foi lançada no dia 11 de dezembro de 2022 para aproveitar a comemoração dos 166 anos de nascimento de Filinto Justiniano Ferreira Bastos.

É, também, uma homenagem para Carolina Rocha Ferreira Bastos, a Calu, nascida em dois de setembro de1871 e falecida em 21 de março de 1963.

Eles se casaram em 1890.

Não é uma biografia no sentido estrito da palavra.

Tem forte pesquisa de dados e toma a liberdade, ao usar a ‘ficção’, para que o próprio personagem conte sua história.

 

Vários sobrenomes se aliaram: Borja, Pirajá da Silva, Leal, Caldeira, Moraes, Lavigne de Lemos, Solano...

Hoje, a família se espalha por várias países, cidades e estados.

Especialmente Salvador e Ilhéus-BA, Vitória-ES, Rio de Janeiro-RJ, São Paulo-SP e Florianópolis-SC.

 

Procurei fazer a narrativa em ordem cronológica, com idas e vindas.

Na próxima ‘versão’, traremos os nomes de primos e parentes próximos e distantes que colaboraram com fotos, cartas, publicações e lembranças.  

Pedimos a sua compreensão: falta uma revisão final de português. A urgência em antecipar o livro e o site adiou essa tarefa.

Nos textos do próprio Filinto – e de algumas publicações – mantivemos a ortografia e a gramática da época.

Boa leitura!

Ninho Moraes, filho de Heloisa, neto de Cora-mãe, bisneto de Filinto.

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