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NINHO E ISADORA , OS LEAIS

                  PROJETO FILINTO BASTOS

Foi em um reencontro com a prima Isadora Leal -- amiga da vida toda -- que tivemos a ideia.

O emocionante texto MESTRE, escrito por ela (logo abaixo), demonstra este sentimento.

Nossos pais, Jorge e Heloisa (assim como a irmã Cora), foram criadas por Filinto e Carolina, depois da morte precoce de Cora, a filha mais velha. Nosso avô, Geraldo Leal, também partira cedo.

Resolvemos buscar lacunas na vida pessoal deste grande homem --- e também recuperar as histórias que nós mesmos não perguntamos aos nossos pais.

 

Lógico que Salvador foi o primeiro passo, nosso primeiro degrau de pesquisa. Com a companhia de Fernando Bastos Filho, de Florianópolis, que já tinha começado a plantar a Árvore Genealógica dos Bastos. Quilômetros e quilômetros de subidas e descidas em busca dos lugares onde FB pisou: MUSEU DE ARTE SACRA (onde era o SEMINÁRIO SANTA TEREZA, ACADEMIA DE LETRAS DA BAHIA, INSTITUTO GEOGRÁFICO E HISTÓRICO DA BAHIA, PONTE DO MONT SERRAT E A CASA DE NÚMERO 50, RUA JOANA ANGÉLICA (em busca do Solar onde a família morou), FACULDADE DE DIREITO DA BAHIA e, entre outras, a ORDEM TERCEIRA DE SÃO FRANCISCO.

Criamos e-mail, fizemos telefonemas, disparamos mensagens, visitamos instituições e iniciamos algumas viagens.

Logo percebemos que o livro em PDF (por enquanto), lançado no final de 2022, deveria ser acompanhado por um site, que permite atualizações e muitas ilustrações. O esforço pode ser conferido e está sendo coroado pelo trabalho da editora e designer Ana Braga, que identificou-se com o 'personagem' Filinto Bastos e tem criado páginas, filmes, animações e alegorias com muito respeito e criatividade.

A viagem mais prática foi para Feira de Santana, onde estamos em batalha por um espaço para sua memória.

O Fórum de Feira leva seu nome mas, infelizmente, não tem batalhado pela preservação do seu nome -- e nem mesmo de uma imensa foto que ficava no Auditório principal, retirado ... e desaparecido. Temos contado com a colaboração inestimável (e carinhosa) de Rita Trabuco, historiadora que fez seu mestrado em busca da Poética de Filinto Bastos. Confira no tópico POESIAS. 

A mais bela foi para Amargosa, terra de nossa bisavó Calu, com direito a visita para a Fazenda Timbó, como está registrado na foto abaixo. Ali tivemos o apoio do historiador Lomanto Neto, que tem sido incansável colaborador.

Tivemos contato com os descendentes do filho João. Hoje, com o sobrenome Solano, moram no Rio de Janeiro e Espírito Santo. Uma visita 'física' está programada. 

Ainda estive em Florianópolis, onde recolhi documentos e conversei com os primos da imensa e carinhosa Família Caldeira Bastos, que surgiu com a migração do filho José para Santa Catarina, em plena juventude.

Ninho Moraes, filho de Heloisa, neto de Cora-mãe, bisneto de Filinto.

                          ISADORA E NINHO, OS LEAIS, NA FAZENDA TIMBÓ_AMARGOSA_BAHIA EM 2022

                               MESTRE

Por Isadora Leal, filha de Jorge, neta de Cora-mãe, bisneta de Filinto.

A figura do mestre e bisavô Filinto Justiniano Ferreira Bastos desperta, em seus descendentes, a vontade de conhecer melhor a sua vida, os seus feitos, os seus amores, o seu viver. Escrever sobre Filinto, homenagear a pessoa marcante que foi, a sua trajetória, é um desafio prazeroso assumido por Ninho Moraes com maestria, presenteando-nos com a “A segunda vida de Filinto Bastos”. As reuniões com os primos ‘conquistados’ pela sua personalidade marcante e residentes em lugares distantes, as viagens para os locais onde Filinto nasceu, estudou, constituiu família  e residiu, os contatos e pesquisas nas Faculdades de Direito onde estudou e lecionou, Poder Judiciário, prefeitura de Feira de Santana, Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, Academia de Letras da Bahia, Igrejas onde orou, o Museu de Arte Sacra da Bahia onde foi o Seminário que estudou, entre outros, formam os pilares da pesquisa para conhecermos mais e mais de Filinto. Criança, ainda ouvia do meu pai os relatos sobre o jurista brilhante que deixou como legado uma vida pautada no humanismo, no impecável desempenho como operador do Direito – Advogado, Promotor de Justiça, Juiz, Desembargador, Professor – e no trato amoroso com a sua família. 

O poeta Filinto canta a beleza da mulher amada. Descreve a sua terra natal, Feira de Sant´Anna. Clama contra a injustiça social e a escravidão em versos e prosas imortalizados em seu Bloco de Anotações. O humanista revela-se no abolicionista, na indignação perante a “tyrania vil e degradante da escravidão”. O Pai/Avô amoroso envolve filhos e netos em abraços de carinho e encantamento. Abraça a mulher com amor intenso e doce. Filinto ressurge numa segunda vida, na primeira pessoa, pela pena de Ninho Moraes, em uma escada imaginária, galgando os degraus da sua existência, do seu estilo de vida e valores dos séculos XIX e XX, da sua família, dos momentos calmos e glamurosos, dos momentos de guerra e conflitos sociais aqui e em outras partes do mundo. Podemos comparar a um mergulho gostoso nas águas claras da nossa baía de Todos os Santos resgatando o homem sensível, corajoso, conhecedor das artes, das ciências, do saber jurídico e que sempre teve em mente e de forma constante, “os preceitos do direito expressos na concisão do brocado romano: viver honestamente, a ninguém lesar, dar a cada um o que é seu”.

Nesta volta ao passado, neste evocar, não há fuga, ao contrário, mais estímulo  para uma prática de vida lastreada na honestidade e na liberdade.

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