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ABOLICIONISTA

EMANCIPADORA

Entre meus colegas de curso, nessa luta árdua e desigual, tive o prazer de conviver com muitas pessoas das letras.

Aqui começo por dois: o poeta Raimundo Correia, nascido em 1859 e falecido jovem em 1911, e do jornalista Júlio de Mesquita, que nasceu em 1862 e também moço se foi, em 1927, com o orgulho de ter criado o jornal Província de São Paulo, rebatizado de O Estado de S.Paulo, cujo exemplar, vez em quando, quando aporta em terras soteropolitanas, me deleita. 

A poesia é uma surpresa que abre as janelas das casas, ilumina e areja os ambientes.

Zanzando pelas Arcadas do Largo de São Francisco, você já sabe, fui o primeiro presidente da Sociedade Emancipadora Acadêmica de São Paulo, um movimento de jovens abolicionistas. Tema do próximo capítulo.

Entre meus colegas de curso, nessa luta árdua e desigual, tive o prazer de conviver com muitas pessoas das letras. E de lutas na paz. 

Aqui começo por dois: o poeta Raimundo Correia, nascido em 1859 e falecido jovem em 1911, e do jornalista Júlio de Mesquita, que nasceu em 1862 e também moço se foi, em 1927, com o orgulho de ter criado o jornal Província de São Paulo, rebatizado de O Estado de S.Paulo, cujo exemplar, vez em quando, quando aporta em terras soteropolitanas, me deleita.

No vai e vem da nossa vida, viro a folhinha da parede para trás, e me encontro, de novo, na Faculdade de Direito de São Paulo.

É pelas tristezas da vida e da morte que não conheci o bahiano que também estudou por lá. Pelas tragédias que nos cercam, questiono se o tiro que Castro Alves deu por acidente no próprio pé, estaria escrito no destino ou foi desígnio de Deus.

Ora pois, vamos homenageá-lo.

Escrevi um poema em prosa, que iniciei com as palavras que lhes entrego agora:

                         O POETA DOS CAPTIVOS

Fazer das alvinitentes plumas do archanjo da inspiração aza poderosa, que transporte ao paraizo do ideal de pura phantasia, é arrojo sublimado dos eleitos do Talento; mas, com ellas librar-se sobre o abysmo onde contorcem-se a afflicção e o desespero, personificados nos escravos, agitando-as para amenisar-lhes os suplícios, e para traçar contra os apóstolos da injustiça caracteres de execração, enérgicos como os do festim de Balthazar, é a obra gigantesca dos Prophetas do Bem e da Humanidade. A essa legião de predestinados pertenceu Antonio de Castro Alves.

 

O periódico O Monitor de 7 de julho de 1881, logo na primeira página, anunciou uma de nossas atividades – justamente homenagear o ex-aluno, ilustre poeta bahiano.

 – Illms. E Exms. Srs. A Sociedade Emancipadora Academica, em S. Paulo, quer também associar-se ao festival com que a província da Bahia vae comemorar o decenário de morte do infeliz poeta Antonio de Castro Alves. Vivendo na mesma terra que ao estro vigoroso do vate morto inspirou tantas estrofes sentidas e patrióticas, abraçando a causa dos desgraçados captivos que fez vibrar a corda delicadíssima da gusla maviosa do autor de ‘Cachoeira de Paulo Affonso’, a Emancipadora Academica, pede que a representem na festividade da liberdade e da poesia e desde já vos agradece o concurso à idéa emancipadora, idéa de seu programma, programma de suas convicções. Deus guarde Vs. Exms. – Illms. E Exms. Srs. Drs. Manuel Vctorino Pereira e Alexandre Evangelista de Castro Cerqueira e acadêmicos Henrique Avelino Mendes, Octaviano Muniz Barreto e José Garcia Loureiro. Filinto Justiniano Ferreira Bastos, presidente Leocadio Leopoldino da Fonseca, 1º secretáro Manuel Alvaro de Souza Sá Vianna, 2º dito.

 

O ofício foi assinado por mim, FB, e os respectivos secretários da Emancipadora Acadêmica de São Paulo. Foi assim que no dia 10 de julho de 1881, imprimimos um boletim especial para lembrar o decenário da morte do meu conterrâneo Castro Alves – e quase contemporâneo.

Seguidos por discursos Ruy/Rui Barbosa, declamação de poesias, entoação do hino elaborado para homenagear Castro Alves e conferências de representantes de associações literárias e abolicionistas. De outras províncias estiveram representantes do Club Literário da Paraíba do Norte, do Diário do Grão-Pará e da Academia do Recife.

A íntegra foi reproduzida na imprensa baiana. Com um adendo, segundo o jornal O Paiz de 24 de julho de 1881:

 

– Dous ingênuos, filhos de uma escrava alforriada pela comissão, abriram o festival.

 

Sim, conseguíamos a alforria de escravizados...

Digo ou não digo? O quê? Tempos depois do meu discurso não realizado no Teatro Santa Isabel de Recife, dia 22 de setembro de 1882, recebi uma delicada dedicatória, com autógrafo, no livro ‘O Reverso da Crítica’, escrita pelo meu colega de Faculdade, Pedro Vergne de Abreu.

 

– Ao distinctissimo amigo e talentoso comprovinciano Filinto Bastos, o segundo poeta dos escravos...

 

Com todo respeito ao parceiro de luta, que havia lido meu poema ‘Cena Comum’ não há hierarquia na batalha contra a escravidão – com M minúsculo.

 

Castro Alves foi o número 1.

Todos nós, milhares, o número 2.

 

Por pouco, no tempo e no espaço, descruzamos.

Para mim, que convivi com as mortes em sequência familiar, muito próximas, li e ouvi os relatos da partida de uma vida acelerada por um desastre, por um acidente, por um destino cuja mão nunca descobriremos. 

Homenagem já feita neste 'sítio'...

 

BARBOSA, O RUI/RUY

Com o devido respeito, uma das maiores críticas que tenho ao meu colega Rui – ou Ruy – Barbosa, a quem muito respeito, está na sua decisão impulsiva que tomou durante sua gestão no Ministério da Economia de Deodoro da Fonseca.

Em 14 de dezembro 1890, ordenou a queima dos arquivos que registravam a chegada de negros escravizados. O ato foi realizado no dia 13 de maio de 1891, dia consagrado pela Princesa Isabel com a assinatura da Lei Áurea, de apenas três anos antes.

Ora, pois. Sua justificativa era política. Nada técnica e nada responsável.

Apenas queria evitar que os antigos ´proprietários´ de escravos entrassem com ações judiciais para pedir ressarcimento e indenização pelas perdas que alegavam ter. Afinal, tinham investido tempo e dinheiro nesse mercado.

Todos sabemos que acho um negócio ignóbil. Ninguém é dono de ninguém. Do lado de lá, a ‘queima’ também impediria que ex-escravizados acessassem as datas de suas ‘compras’. Elas poderiam ser utilizada para exigir recompensa para quem foi trazido para o Brasil depois de 7 de novembro 1831, quando o tráfico foi proibido. O número estimado é sugestivo: cerca de 300 mil africanos atravessaram o Atlântico em navios negreiros ilegais.

Entre a assinatura e o ato, todos os documentos foram levados para o Rio de Janeiro.

Cinzas e lágrimas.

O novo governo, militarizado, deu um jeito de ‘pacificar’ as partes com um ato de força. O contrário do que se esperaria da Justiça, que nada fez para impedir.

No seu afã, Rui Barbosa destruiu as provas, como poderíamos chamar no jargão jurídico. Mais e pior: eliminou a chance de estudarmos como foram os fluxos migratórios e, também, de identificarmos a origem de cada cidadão agora livre.

Ajudaria pelo lado cultural, social e ético. 

O Brasil seria um melhor se se conhecesse melhor através dos números. Iria ajudar em todos os sentidos e em todos os setores da economia. Na educação com certeza. Principalmente via Censo populacional. Para saber quantos somos.

 

Com o ´quanto´ chegaremos no ´quem´ somos. Quem seremos?

 

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