TELEFONEMAS PARA OS NETOS
Meus netos comigo seguiram nestas viagens...





JORGE
CORA

HELOISA
TELEFONEMAS PARA JORGE, HELOISA E CORA.
E NELITO...(a escrever)
Há variações de palavras. Maturidade. Experiência. Sabedoria.
Ou pejorativos. Velhice. Insanidade. Obsolescência.
Já adiantei o relógio com mudanças nas tábuas de leis.
Conheci parteiras e maternidades.
Dormi súdito de um Imperador e acordei cidadão republicano.
Virei de um século para outro.
Testemunhei a chegada da luz elétrica.
Andei por trilhos recém-inaugurados.
Naveguei em vapores.
Subi de elevador.
Fiz leituras de diferentes Constituições.
A pena deu lugar à máquina de escrever.
O telefone nos aproximou pela voz – e, soube, pela imagem.
Para Jorge, Heloisa e Cora gostaria de fazer algumas ligações...
E netos se transformam em filhos.
E filhas em netas.
Aconteceu conosco. Casei tarde. Aos 33. Aos 63, me vi diante de um desafio. Ser avô-pai e avó-mãe. Carolina estava com 48. Crianças no berço. Nós no terço.
Você leu a notícia do jornal, logo acima. Minha filha Cora estava casada em Alagoinhas com Geraldo de Alcântara Leal, juiz como eu. O imponderável aconteceu. Dizem que são desígnios de Deus. Prefiro ‘poupá-Lo’. Geraldo teve o cuidado de convidar o médico-parteiro para dormir em sua casa. No dia seguinte, Cora teria seu terceiro filho. Ainda não sabiam o sexo.
O casal já tivera Jorge, em 1917, e Heloisa em 1918. Em 1919 nasceu Cora – como homenagem para a mãe que partia. O hábito das maternidades ainda não estava instalado totalmente. Partos e velórios ainda se faziam em casa.
Como dito, a família morava no interior da Bahia. Ligação por telégrafo e trem. Mas como um pai poderia criar três crianças? Eu e Carolina assumimos a função.
Geraldo manteve-se presente. Era Juiz como eu. Sempre que podia, visitava os filhos – especialmente nas férias no Mont Serrat. Minhas filhas mais jovens dizem que chorava pelos cantos e na cama. Costumava enviar contribuições financeiras. Sempre bem vindas. Mas ficou o coração rachado pela perda da esposa. Solteiro, acabou contraindo sífilis, uma doença traiçoeira, e partiu muito cedo, por volta dos 40 anos.
Faça as contas. Em casa, eu já tinha Laura, de 1910 e Margarida, de 1913. Elas tiveram o privilégio de nascer na Maternidade do Climério, aberta em 1910 na Rua do Limoeiro, bairro de Nazareth, perto de onde eu morava.
A partir dali, passamos de duas para cinco crianças em casa. Laura, Margarida, Jorge, Heloisa e Cora. Em escadinha: 9,6,2,1 e bebê.
Sem contar Mariasinha, Georgina e Hersilia, já adolescentes, e Beatriz, que chegava perto dos 20 anos. José já partira para o sul do país. E João começava sua vida profissional.
Vale a Mais-Valia da vida privada.
Como Laura e Margarida tinham a mãe Carolina, virei avô de minhas filhas.
E pai do novo trio. Deu para entender?
página em construção
Filinto Justiniano Ferreira Bastos –
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Filinto Justiniano Ferreira Bastos –


