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FAMÍLIA ROCHA BASTOS

 

SAUDADE
Dizem que a saudade é a presença da ausência. 
Aqui do meu retiro espiritual, lembro bem das brincadeiras de netos e netas nas calçadas.
De benças e bençãos de tios e avós. 
Da mesa farta e sempre posta. 
Do sabor do quindim. 
Do cheiro do queijo do reino no móvel da sala. 
Do lombo bem temperado. 
Dos sanduíches – palavra nova – gulosos. 
Dos quartos de boi entrando na casa. 
Do sabor azedinho das amoras colhidas no pé. 
Do ferro de passar a carvão e das roupas, engomadas e passadas. 
Da curiosidade dos descendentes em saber o que existia no Socavão da Joana Angélica. E nos Porões do Mont Serrat.

FOTOGRAFIA(s)

Faltam fotos do meu período de Seminário, prestes a jurar voto de castidade, menino virgem e menor de idade.

 Vou me reorganizar.

 

Tenho poucos registros de imagens.

 

Gostaria de ter eternizado mais os meus momentos com Carolina e família. Ao contrário do garboso Castro Alves, que tem uma vaidosa foto enquanto estudante de Direito, só fui homenageado com 'chapas' depois de virar juiz e professor.

 

Tem uma que deixei para meu neto Jorge onde estou pomposo, de bigode bem asseado, até exagerados, cabelo bem delineado e com ondas, Toga que sempre sonhei, gola branca aprumada, fivela no papel de gravata e corte nos braços para facilitar os movimentos.

 

Espero que fique bem conservada.

 

É a foto que utilizam ao me retratar.

Um retrato do retrato.

Gosto muito da foto de família que tirei com alguns filhos.

Carolina, de cabelo preso, está com um vestido branco bem fechado na gola,

pequenos bordados no colo e no meio da saia.

No colo propriamente dito, Calu carrega Mariazinha.

 

No alto da foto, Elvira, cabelo preto enrolado.

José e João circundam Cora.

No meu colo, Beatriz.

Estou sentado de lado. Talvez pela minha altura.

Magro fui, magro sigo.

 

Camiseta por baixo do paletó. Informal e sem gravata.

Bigode vasto e grosso. Moda da época. Não recordo direito de onde

tirei o gorro que me cobre a cabeça, se ganhei ou comprei.

Parece algo africano, de pano cru. Prefiro dizer que é uma moda

portuguesa com toque sertanejo. Bem ao estilo de meu pai.

João e José estão de calças curtas.

As meninas têm roupas longas, menos Beatriz. 

Botinhas nos que estão à frente. Os calçados dos pais desapareceram

na foto.

Repare nas mãos – que muito falam.

Calu as têm com os dedos envolvidos em volta de Mariasinha.

José está com os braços cruzados.

João apóia a mão esquerda do banco.

Beatriz cruza os dedos.

Já os meus são longos – a mão esquerda a tenta proteger.

A direita está com todos os dedos bem abertos – e traz um anel. Será do direito ou do noivado (que lá teria ficado?).

Sei que é uma pequena prova de minha altura, já que ninguém registrou qual seria.

Abro mais um parágrafo e chamo a atenção para Cora.

De vestido que lembra uma pequena marinheira, Corinha desenha os dedos

como uma concha. Ou um coração. Pieguice minha?

Outro detalhe: o que significa a placa de madeira colocada ao chão?

Será um material esquecido do fotógrafo contratado? Fica o registro.

 

Em foco. Saudade de minhas crianças e de minha amada.

ELVIRA, A PRIMOGÊNITA

Anotei uma alegre-triste lembrança.  São os versos que recebi de José Augusto de Castro em julho de 1895 para a primeira filha, ainda criança– cujas palavras transpiravam meus sonhos de família.

                   VISITA

 

Ao Dr. Filinto Bastos

Flores a um lado: as rosas, as violetas,

heliotropos, jasmins, begônias, goivos...

A sugestão d’um beijo para noivos,

a inspiração d’um verso para poetas!

O murmurar d’um rio, brando e doce,

por entre relvas e por entre fragas.

O laranjal ondeando, ao longe, em vagas

d’ ouro, como se d’ouro o fructo fosse!

 

Perto o sorrir d’Elvira – o terno arrulho,

Mais que o da rola terno e todo o encanto

d’uma alvorada tepida de Julho...

 

Mais perto ainda o palpitar bemdicto

do coração da Esposa – templo santo –

Eis em que meio o encontro, se o visito!

Ei-lo dito, carinhoso amigo. Deliciosa visita. Que se repita. Sem a tristeza da desdita. 

Além

Ei-lo dito, carinhoso amigo. Deliciosa visita. Que se repita. Sem a tristeza da desdita. 

Além d’Elvira, que se façam poesias para Filinto, Germano, Cora, Beatriz e Georgina, doces rebentos.

 

Cora
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Cora, Cora,Cora. 

Minha número 2 que virou primeira. Que delicadeza. Que suavidade. 

Eu tinha 37 quando você nasceu. Você tinha 26 quando partiu. E eu já estava com 63.

Era uma quarta feira para quinta feira. 

Bem no meio da semana. Bem no meio do segundo semestre.

Bem no final do no letivo. As notícias por telegramas já eram preocupantes. 

Meu genro Geraldo, seu marido, pai de Jorge e Heloisa, estava preocupado.

Vocês tiveram filhos em anos seguidos. Ambos eram forte. 

Ele, natural de Alagoinhas, interior aqui da Bahia, exercia o cargo de Promotor Público, uma nobre função. 

A notícia explodiu no meio da manhã da quinta feira.

Corremos todos para o trem que partia da Estação da Calçada, na Cidade Baixa. Calu, eu, Elisa e Pirajá, e suas irmãs Elvira e Mariasinha. Beatriz, com problema no pulmão, não pôde ir. Laura e Margarida não tinham idade para tamanha tristeza.

Ficaram com amigos próximos de Salvador e nossas criadas. Foram quilômetros de trilhos e de lágrimas. A linha era administrada pela Cia.

Chemins de Fer Federaux du L’Est Bresilien, de capital francês, e seguia direto para Alagoinhas. 

O mais difícil era comunicar aos familiares. 

A única felicidade era a sobrevivência de Cora, sua terceira filha. 

Intimamente, eu e Calu já sabíamos que os três seriam criados por nós.

Seria muito difícil para um viúvo e, além do mais, em uma cidade menor, fora da capital. 

Para você, Cora, só tenho a dizer que os três foram bem criados e foram felizes – e amigos – para sempre.

Passo a palavra para o periódico a seguir, que faz um impressionante relato dos fatos.

Cujo exemplar foi salvo e guardado pelo seu irmão José, que o recebeu em Florianópolis. 

D. CORA BASTOS LEAL

Patria Bahiana / Jornal / Anno VIII / n. 46 / 

27 de Setembro de 1919 / Alagoinhas. E da Bahia (Brasil)  

A nossa  penna  que já estava se desacostumando a traçar noticiarios tristes e enlutados, tem nestes ultimos mezes sido entregue a este penoso e triste mister.

Dias atraz éra o noticiarmos o desapparecimento de distinctos de exemplares chefes de família, ainda pranteados pelos que terão de sempre as mais infindas saudades; hoje mais penosa e a nossa missão, com os termos de dar a consternadora noticia de um dos maiores e mais lutuosas abalos, que há soffrido a família alogoinhense nestes últimos tempos.

Sim, para os que comprehendem e conhecem nas doçuras , os encantos, as suavidades e as meiguices d´uma esposa modelar, que sabe ser santa e amoravel companheira, que sabe desempenhar a mais nobilitante missão que Deus soube confiar a mulher – o ser mãe—, para os quantos sentem e desfrutam os inefáveis prazeres do lar abençoado – o maior gozo que Deus concedeu ao homem – o prematuro  e inesperado desapparecimento de bondosíssima senhora, que era a única razão dos encantos, da alegria e da felicidade do querido lar do digno moço patricio o illustre dr. Geraldo Leal, foi certamente, decididamente, motivo para grande consternação, para grande tristeza. 

De facto assim o foi; a família alogoinhense ao dispertar na manhã de quinta feira, foi surprehendida com a consternadora e dolorosa nova, de haver falecido subitamente após o parto, a exma. snra. D. Cora Bastos Leal, senhora que por suas nobres virtudes, pelos que seus altos dotes moraes constituía um dos mais bellos ornamentos de sua alta elite.

COMO VIVEU

Dotada d´uma magnanimidade extrema, d´uma grandeza d´alma inexcedível, desde de tenra edade se identificou com os carinhos maternaes, e de tal forma os soube praticar que, não somente entre os seus, mais dos quantos se relacionara conquistou as mais sincera estima, principalmente d´alta elite bahiana em cujo meio formou o corolário de suas virtudes.

Filha do probidoso e honrado magistrado conselheiro Filinto Justiniano Ferreira Bastos, uma das mais disctintas e conceituadas figuras do calendo do Superior Tribunal do Estado, e uma das mais punjantes cerebrações da intelectualidade bahiana, e de sua digníssima consorte exma. sra. d. Carolina Ferreira Bastos, tinha a distinguir-lhe com a amizade fraternal oito irmãos que a est´ora carpem as mais cruciantes saudades.

Há precisamente tres annos consorciara-se com o nosso distinguido patricio snr. dr. Geraldo Leal, integro promotor publico da comarca, de cujo consorcio houvera estas duas alminhas de anjo, Jorge e Eloisa, aos quaes dispensava invejável e inexcedível carinho, bem como cercava de grande estima, de extrema amizade seu bondoso esposo, tornando dest´arte o seu lar um verdadeiro paraizo de canduras. 

Desde seu consorcio, que passou a fazer parte integrante da família alagoinhense, que de logo soube conhecer e distinguir suas elevadas virtudes, e os altos dotes que ornavam suas distinctas qualidades, e em cujo meio conquistou geral estima.

COMO MORREU          

Ha mezes vinha suportando o penoso “martyrio dos nove meses” estando por isto cercada do maximo cuidado do seu digno esposo e nestes ultimos dias de sua carinhosa mãe que, da capital, viera para assistir seu “perigoso momento”. 

Approximando-se as horas do parto, como medida de precaução, seu zeloso esposo, solicitou ao distincto clinico dr. Maurilio Pinto, o pernoitar em sua residência, em a noite de quarta para quinta feira, afim de prestar seus serviços profissionaes, caso fossem reclamados de momento e assim aconteceu.

Nas primeiras horas da manhã de quinta feira, teve logar o parto, que correu na melhor ordem, com regularidade e sem difficuldades, dando a luz a uma formosa e gorducha creança do sexo feminino.

Infelizmente, porem, Deus tinha reservado aos seus a mais penosa provação, qual a de verem ha desaparecer, subitamente, inesperadamente, pois quando já julgavam-na fora de perigo, livre do “perigoso momento”, eis que surge repentinamente um grande colapso, que zombando de todos exforços empregados pelo hábil clinico, de todos os desvellos do esposo amigo e da mãe dedicada arrebatou-a dos braços amigos, justamente na “hora em que o sol põe, termina a noite e aponta e clareia com os seus doirados raios o dia que nasce”; como se o fizesse para mais clarear a sua sahida a patria dos eleitos, a manção dos justos, unico refugio das almas puras e cândidas como era a sua. 

E emquanto su´alma voava aos paramos do infinito, na terra fer dos ficavam os que lhes sabiam querer como todas as veras d´alma, e orphãos dos seus carinhos, tres almas ainda em flor, que certamente quando conhecerem o amanhã da vida, saberão carpir as mais amargas saudades; estes que ainda hoje os vimos com o riso da innocencia nos labios e com a garvidice ingenua na face alegre, desculpados e risonhos, a darem expansão as suas traquinices de creanças, sem poderem ao menos ter uma vaga moção da grande perda que soffreram.

COMO SE ENTERROU 

Constactada sua morte, a cidade de logo foi cruelmente abalada na sua habitual quietude, e consternada a família alagoinhense que de logo foi-se de romaria e em profunda tristeza, para a casa de sua residência, a procurar suavizar os corações que ali se acharam golpeados pela mais acerba das dores, os quaes fortalecidos pelo balsamo santificante, que emana dos sagrados dogmas da religião de Christo, souberam resignarem-se e conformarem-se com a vontade do omniportente. 

Communicado o occorrido para a capital dali vieram em trem especial, aqui chegando as 17 e meia horas, seu angustiado pae, seus enlutados parentes, os eruditos scientistas drs. Antonio Borja e Pirajá da Silva, e duas de suas inconsolaveis irmãs, os quaes já encontraram na Igreja seu corpo, que era conduzido a derradeira morada, pelo que a nossa sociedade possue de mais nobre, mais culto, mais elevado e mais distincto. 

Soubre sua desolada campa descançaram as seguintes COROAS:

Saudades das sobrinhas Rosa e Luiza Leal. Homenagem do Professorado Estadoal e Municipal de Alagoinhas à virtuosa consorte do seu distincto Delegado Escolar, d. Cora Bastos Leal. Sentida homenagem dos funccionarios Municipaes. Recordação dos seus resignados paes Carolina e Felinto. Derradeiro adeus do seu esposo inconsolável.

Lembrança de Adelia e Cid Bastos. Doloroso adeus do seu irmão Alberto.

Homenagem de Maurilio e família. Dolorosa saudades de André Costa e família.

Saudosa lembrança de Izabel Paranhos e filhos. Recordação respeitosa de Carlos Azevedo e família. Ultima lembrança dos compadres Auta e Romualdo. Espargiram sobre seu esquife bandeijas de flores as seguintes famílias: D. Izabel Leal Paranhos, dr. Pondé e família, advogado Cyro Araujo e família, Manoel Carneiro e família, coronel Argollo e família, d. Antonia Farano, Carvalho Junior, família Laudelino M e família, d. Elisa Farano, professora Garcia Rocha, Adolpho Campos e família, Dr. Bião e família, professor Deocleciano B. Castro e família, professora Suzana Rogaciano e família, Robatto e família, Bibiana Josepha Rocha, Maria Pureza, José Mendes Martins e família, Augusto Bastos e família, Erico e família, Arlinda Meyer Robatto, Dr. Maurilio P. da Silva, família Caldeira, Mario Laert Moreira, João Ferreira de Oliveira, Antonio Pinheiro, Joaquim Damasceno, Emilia Pinto Militão Carvalho, professora Bernardina Eremita Oliveira Campos, família Baptista da Purificação, Almerinda Florencio Dias, João da Costa Chagas e família.

As sociedades locaes hastearam a meia verga seus lábaros sociaes, e se fizeram representar no enterro por commissões.

Ainda penalisados, renovamos nossas mais sentidas condolencias ao seu desolado esposo, aos seus consternadíssimos paes, bem como a família alagoinhense tão sinceramente constristada.

AS EXEQUIAS

Por absoluta falta de espaço deixamos de publicar o agradecimento e convite do Dr. Geraldo Leal e de mais pessoas das famílias Leal e Bastos, os quaes solicitam das pessoas de suas relações assistirem os piedosos officios fúnebres que terão logar quinta feira 2 de Outubro na Igreja Matriz dessa cidade, por alma da extincta senhora. 

d’Elvira, que se façam poesias para Filinto, Germano, Cora, Beatriz e Georgina, doces rebentos.

A linda Cora e meu genro Geraldo. 

No colo, o neto Jorge. Fotografia registrada em Alagoinhas, interior da Bahia. 

Tão bela. Tão Rocha. Tão Bastos. Tão Leal. Tão bem casada. 

Geraldo partiu cedo também. Não suportou a tristeza. Dizem que foi o coração. Pode ter sido a sífilis, doença impertinente que assustou milhões até a descoberta da Penicilina em 1928. Era a doença da solidão. 

Descansem em paz. 

JOÃO

João, o número 3, primeiro homem, também formado em Direito, me dava o orgulho e prazer de passarmos longos minutos no meu escritório de casa, trocando impressões e, até, exercitando a advocacia e a profissão de juiz.

Era lúdico.

 

Ambos nos postávamos como se estivéssemos na Corte.

 

Trocávamos provocações e sempre usávamos um truque dos profissionais.

 

Gosto de lembrar a analogia:

 

– A justiça é como uma obra de uma casa. Existe o martelo do juiz e existe o prego para a sentença.

 

A partir de palavras, meu biógrafo Fernando Alves tentou pintar um retrato sobre a minha primeira vida – e meu relacionamento com João e a família:

 

– Fora dos deveres, trauteava uma valsa de Strauss ou uma ária napolitana, e, com mais prazer e afeição, sentava-se no gabinete e tratava os mais enternecedores torneios com o seu filho João. Quadro digno de Rembrandt.

 

Entendeu a analogia com a pintura das palavras? Fernando prossegue:

 

– Na meia luz de um quarto, estantes cheias de livros de lombadas vermelhas e outros de dorsos pretos, e um velho de calças brancas e casaco preto, discutindo serenamente com o filho. Êste, menos lido, porém de uma inteligência fora do comum, ouvia religiosamente as palavras saídas dos lábios do ancião. Mas o douto terminava a preleção, o moço, que permanecia imóvel, cabeça grande e de ralos cabelos, olhos piscando, devolvia os ensinamentos. Se a luz era boa, límpida e firme, melhor era o espelho. O jato da claridade voltava mais amplo e encantador.

 

Meus biógrafos gostam das liberdades e de soltar o verbo.

 

Escreveu Fernando:

 

– Filinto sorria por dentro.

 

Sim, eu sorria sim. Alegria.

 

– (...) E o segredo das Institutas, das Novelas, do Direito Canônico, das lições de Cogliolo, Pacifici Manzoni, Ortolan, Lombroso, Ferri, Zanardelli, que o velho lia no original, transmitia ao discípulo querido, como aqueles gregos de antanho, sem ênfase nem gabolice.

 

Desconheço quem contou os detalhes para Fernando. Que prosseguiu em sua narrativa:

 

– João fungava um pouco, apertava o supercílio e esplanava os ensinamentos (...) Captava a ciência dos advogados de ricas estantes e, na tréplica, devolvia com maestria e segurança.

 

Tudo isso acontecia no sobrado da Avenida Joana Angélica 110, bem diante do Ginásio da Bahia. Naqueles momentos eu me preparava para escrever um novo livro: O Jurista e a Organização Social. A Moral e a Religião.

 

Foi por isso que tracei a seguinte frase:

 

– O lar não é um prédio de quatro paredes cobertas de telhas, limitando um espaço que se divide em aposentos mais ou menos mobiliado, mas, para uma criança, sobretudo, é um ambiente de carinho, de solicitude e de amor em que a sua infância cresça na alegria, sentindo-se como um ser desejado e querido, e não como um intruso e tolerado.

 

Destinos da vida.

Nesta foto, estou ladeado por João e pelo meu amigo, meu médico, meu afilhado, meu concunhado

Antonio Bastos de Freitas Borja que se despediu de nós em 1933.

Perdi um filho jovem, o João. 

Perdi um pai jovem, o João. 

Uma das barreiras que ultrapassei foi a da minha própria expectativa de vida. 

Na véspera do meu passamento, a preocupação maior, minha e de Carolina, era com nosso mais velho, o João. 

Saúde frágil também, apesar da pouca idade. Acabara de ser unçado ao Tribunal de Contas – e logo pediria as contas, a aposentadoria. Isso não vi. Só não queria partir antes de mim. Terá sido por tuberculose? Frágil, todos eram recomendados a não abraça-lo.

Casado com Maria de Jesus Carneiro da Cunha, a Marieta, teve os filhos Maria Amélia, Filinto Justiniano e José Solano. Partiu com 45 anos. 

 

E agora, como me explico? Escrevo sobre algo que aconteceu logo depois da minha morte.  

Nos registros do Tribunal de Contas do Estado da Bahia consta como Conselheiro João Rocha Ferreira Bastos: 

  • Nascimento: 28/10/1895

  • Nomeado Conselheiro do Tribunal – Dezembro de 1937

  • Aposentou-se: 27/08/1940

  • Faleceu: 27/09/1940

João Rocha Ferreira Bastos

20-10-1895 / 27-09-1940

Bemaventurados os limpos de coração, porque êles verão a Deus.

Deus que o experimentou com o sofrimento, achou-o digno de si. Sagrado Coração de Jesus, temos confiança em vós. Nossa Senhora de Fátima, rogai por ele. 

 

Na Europa em fase de industrialização, século 19, viviam 33 anos. 

Os nordestinos comemoravam ao chegar aos 30. 

Durante a Espanhola, caiu para 26. 

O mundo sofria junto – e também com a Grande Guerra. 

JOSÉ

Também já enfrentei tropas policiais, mas nunca cheguei a ser

encarcerado. Talvez fosse uma experiência curiosa para que jovens

formados pelo direito conheçam as terríveis condições de prisões.

 

Aqui vai um pouco de história e, talvez, por modéstia, um pouco de lenda. 

 

É o que descrevo sobre meu filho número 4, José, que completou a

maioridade circa 1915 e se formou em 1917. 

 

Além da Revolução Russa, que assombrou o mundo, foi um ano de grandes acontecimentos na minha vida, como a compra da casa de Mont Serrat e a fundação da Academia de Letras. 

 

As imprecisões das datas são culpa dos descendentes que não anotam nossas aflições. 

 

Olhe que nos, Bastos, não somos exatamente Tiradentes – muito menos dentistas. 

Melhor pesquisar nos jornais da época. 

Pois bem...

 

Resumo: durante a gestão do governador – eleito indiretamente pela Assembléia Legislativa – Antônio Ferrão Moniz de Aragão, houve a determinação de ocupar a Faculdade de Direito da Bahia, onde eu era diretor. Observe que começaríamos a enfrentar a ‘espanhola’. 

 

É como se escreve: na antiga Roma, governantes sábios e justos foram sucedidos por dementes como Nero, Calígula e Cômodo.

 

O não conhecimento, o desconhecimento, às vezes não tem importância. A menos que a gente acredite que Atenas antiga foi uma democracia ou que o cristianismo criou o liberalismo moderno. 

 

Aqui mais um parêntesis. Dizem que, na época, eu era reitor. Não o fui. Nunca fui. 

 

Quando as tropas policiais chegaram, teria eu me postado diante do portão principal e declarado:

 

– Só se passarem por cima do meu cadáver.

 

Outra versão diz que usei a seguinte frase:

 

– Aqui vocês só entram se me matarem.

 

Poderia escrever outras versões. O fato não foi registrado por áudio nem fotografado. 

 

Sou franzino e isso pode ser analisado pelas fotos, já que nunca fui filmado. Magro também, pela dieta rigorosa e abstinência de álcool. Talvez herança genética, talvez pelas caminhadas diárias. 

 

Magro, com certa altura, entre 1 metro e 70-80 centímetros – eterna dúvida –, de voz suave embora firme, tive a vitória do recuo da força policial. 

 

Uma crise política-institucional em crise policial-militar. Por outro lado, tive de encarar o desafio do Ferrão, o governador da Bahia, do PRD, Partido Republicano Democrático, que teria apostado contra os ‘Bastos’:

 

—Enquanto eu estiver na frente das forças políticas jamais um Bastos terá oportunidades na Bahia. 

 

Foi ali que sugeri ao José que se mudasse para um pouco mais longe do que São Paulo. 

 

Lá se foi ele para Santa Catarina, onde tínhamos conterrâneos bahianos que exerciam cargos como juízes. Falo de Antonio Vicente Bulcão Viana e Joaquim Ferreira Lima. O estado não tinha escola de direito. Outra oportunidade, quem sabe, quando o curso fosse criado. Aceito pelo Ministério Público, foi servir em Campos Novos, no interior, para onde seguiu em lombo de cavalo. 

 

Aí existe certa semelhança com minha juventude paulistana. 

 

Aqui vai o chavão: Deus escreve certo por linhas tortas. 

 

Casou com Maria de Lurdes Caldeira, natural da distante ilha de Florianópolis, ex-Desterro, família tradicional e teve seu primeiro filho no mesmo ano, o Mário. 

Por que não fui? Porque ainda tinha filhos e netos para criar. E cargos para ocupar.

 

Carreira que vale outro livro, foi nomeado Desembargador e, outro orgulho que não presenciei,  assumiu uma cadeira na Academia de Letras de Santa Catarina.

 

A partir dali, trocávamos cartas semanais. Soube que José guardou as minhas.

 

Difícil será ‘traduzi-las’. Meus ‘hieróglifos’ são ‘indecifráveis’...

Nem sei como José conseguia lê-las...

 

De volto à Carthago. De volta à Cabeceira de Basto.

 

Felizmente, não fizeram estátua para mim com a cena diante da Faculdade.

 

Seria um exagero, apesar do nosso grito: ‘Basto’.

ELVIRA

Fomos corajosos. Eu e Calu.

Para homenagear minha querida irmã, tiveramos uma filha chamada Elvira.

Foi-se cedo, coisas do destino. Resolvemos, em comum acordo, tentar novamente.

E lá veio Elvira Rocha Ferreira Bastos.

Nasceu em 1898 (ou perto daí).

Alegre, divertida, branquinha com pele cor de leite, casou com o comerciante Armando Leal da Silva Moreira.

Foi uma união feliz até que destino esbarrou em problemas financeiros de seu marido. Não tenho os detalhes. A honra e a auto-estima o derrubaram.

Como vocês sabem, escrevi e publiquei capítulos sobre suicídio – estará em algum Degrau deste livro ou de algum apêndice.

Dono de um grande armazém, foi o que Armando cometeu. Não conseguiu honrar uma promissória. Tirou a própria vida. 

Elvira estava grávida do filho único do casal. E lá vinha mais um neto, o Nelito, o Manuel Bastos da Silva Moreira. Foi entre 1922 e 1923. Acolhemos Elvira.

Mais tarde, já adolescente, dei muitos pitos e broncas nos netos Jorge e Nelito que ultrapassavam o horário de chegada em saídas noturnas.

Jorge tinha uma pisada mais leve. A de Nelito era mais pesada e ressoava no assoalho de madeira de nosso sobrado. Dormiam no sótão.

Manuel/Nelito sempre mostrou aptidão pela Medicina, quiçá inspirado em Pirajá. Formou-se na mesma época de um grande agitador social, um mulato nato chamado Carlos Marighella, filho de uma italiana com um negro da estiva. Soube que fez história. Já Nelito foi prestar serviço médico na Marinha brasileira.

 

BEATRIZ

Tive Beatriz, filha com nome da personagem de Dante. Menina delicada que reluz na fotografia que postei acima. Ela sobreviveu a primeira infância. Enfrentou a adolescência. Muitas vezes, a levávamos para o interior. Fazia bem para seu frágil pulmão. Certa feita, a família foi surpreendida com a ameaça da chegada de Lampião na região onde se hospedava. Tiveram de fugir. Difícil descrever os detalhes.

Guardamos com carinho a cartinha que escreveu para José, já morador de Santa Catarina. Ela fala de Mário, o primogênito de seu irmão. Fala de Ormina, a empregada que José trouxera de Florianópolis. Fala de Filhinha, apelido carinhoso de minha neta Cora, a terceira filha de minha filha Cora. Fala de Laura, minha filha de 1910, que só tinha 14 anos, mas lhe servia de enfermeira. Fala dos pais e da própria esposa de José, Maria de Lourdes.

É com vocês...

 

S. Gonçalo, 9-2-924

                        Querido José:

Ha tanto tempo já que eu tenciono fazer-te uma cartinha, que nem sei mais da conta, nem o motivo porque ainda não a fiz; podes crer, que desde que para ahi seguiste não tenho passado bem; sinto uma indisposição para tudo, uma falta de coragem para a coisa mais simples deste mundo como por exemplo escrever e ainda mais escrever para um irmão que ñ me sae um instante do pensamento.

Não calculas como ficou a nossa casa __ com a tua partida; a cada instante vimos a figurinha, a festança daqui mesmo.

Estás mais gordinho? Como vamos de calor?

Tenho sentido uma falta enorme da Filhinha mas não acharam bom que ella viesse commigo, trouxe Laura como minha enfermeira, para bater as gemmadas, etc...

Sonho tanto com Mario ! Tenho tanta vontade de velo de novo. Quando será !... Lembranças muitas para Ormina.

Escreve-me sempre que puderes e não te sintas de eu ser tão ruim e de custar tanto a te escrever.

Muitas visitas minha para D. Argentina e Dr. Caldeira, beijos e mais beijos para o nosso Mario. Com Maria de Lourdes abraça a irmã amiga

                                                                                  Beatriz

 

 

Foi como uma breve despedida.

 

 

GEORGINA

Georgina viveu exatos 10.408 dias. Estava entre 28 anos e alguns meses. Com seu cabelo negro, lembrava uma atriz de teatro ou cinema que se via em Magazines e Revistas Ilustradas – embora eu nada entenda do assunto. Acabou casando com Rodolpho, nome de uma estrela de Hollywood da época. Eles me deixaram um casal de netos, o Luiz Antonio, e Carolina Maria, a Laly. A data dela eu lembro: 1935. Foram estes rebentos que perderam a mãe com tão pouca idade.

A família do marido era de Curitiba.

Com a partida da nossa Georgina, para lá retornou com a par

Seu santinho entrega nossa dedicação.

Georgina Bastos Gomes da Silva

11-IX-1908 / 21-V-1937

Sua vida curta foi reflexo de suas virtudes christans de filha, irmã, esposa e mãe. Confortada pelos sacramentos, adormeceu serenamente em Jesus, dando assim um exemplo de coragem, resignação e fé.

Oração

Compadecei-vos, Senhor, de vossa serva e dae-lhe descanço no reino da eterna salvação. Por Jesus Cristo Nosso Senhor.

Imprimatur

Pe. João Kulay. Em coms. do Exmo. Sr. Arcebispo Metropolitano.

 

MARIASINHA

HERSÍLIA

MARGARIDA

LAURA

 

BAÚ DE CARTAS

Por distração, releio agora uma cartinha escrita pelo meu filho José quando tinha apenas 13 anos – e já demonstrava talento para a escrita. É do dia 13 de janeiro de 1910. Teve o cuidade de colocar a origem: Bahia. Enviada para os tios Elisa, irmã de Carolina, e Pirajá, meu cunhado e cientista de renome.

 

A missiva me faz recordar e me inspira a lhes contar, no meu próximo Degrau, sobre as viagens para o interior da Bahia.

 

Está lá:

 

– Meus caros tios. Que esta cartinha vá encontrar vosmecês gozando saúde, eis os meus mais ardentes votos. Nós temos passado bem, graças a Deus. Não tenho escripto porque pensei que vosmecês viriam agora. Mas tio Jura escreveu que vosmecê (tia Elisa), tinha escripto ai ele que sairia da Europa no dia 11 do próximo mês. Corinha, João e eu passamos uns dias em Santo Amaro; meu pai foi nos buscar. Regina gostou muito de mim e só me chamava de irmãozinho. Uma vez ella disse commigo: a meu benzinho, meu coração, meu ... Paulo está um homem de bem. Já pode ser naturalizado Santamarense. Meu pai e João foram passar uns dias em S. Gonçalo, em casa de tio Francolino, deram um passeio à Feira. Eu tenho publicado o Papagaio. O mundo do natal foi de 10 folhas. Regina diz assim: Não sou Lyma, nem Appollo, sou adepta de Padre Lima.

 

E segue:

 

– Aqui vai ter uma grande festa, amanhã ou depois, porque Ruy Barbosa passa por aqui. Vai ser uma festa de arrojo. Hontem meu dindo (Antoninho) recebeu uma carta ai de Tia Elisa. Mariasinha foi para Cabral domingo e volta sábbado. Antonio está gordo e muito vadio. Manoel (de Antonio) esteve doente, mas agora está engordando e está ficando outra vez muito vadio. Georgina diz algumas palavras, e sabe se entender...

 

Penso eu, daqui. Georgina, Georgina, Georgina, a pequena, estava com pouco mais de um ano de idade... Corinha, a mais velha – depois do passamento da primeira Elvira –, quase 17, uma moçoila. João, o filho mais velho, perto de 15. Ele, José, nascido em 13 de maio de 1897, beirando os 13. Mariasinha? 8.

 

Onde estariam Elvira, Beatriz, Germano, Filinto, Hersilia?

 

José prossegue:

 

— Vosmecês sahem de lá no dia 11 do próximo mês, e chegam aqui no dia 24. Tio Eduardo, tia Dalvinha, Zezé e Tetê, foram para Sant’Amaro. Eu visitei algumas igrejas em Sant’Amaro. Eu não assisti a missa do natal (à meia noite).

 

José abre outro parágrafo:

 

– Tia Joaninha tem recebido cartões e cartas de vosmecês. Ella manda dizer que ñ responde porque não pode escrever. Clovis está uma bola e muito sabidinho; já come papa. Minhas aulas começam em principio de março. Meu pai recebeu mais de 100 cartões de Bôas Festas; ele recebeu um cartão postal de tio Manuelzinho, com o retrato do Paray-le monial. Este anno não saimos; passamos as férias aqui mesmo. Marizinha já lê e escreve tudo que quer. Este anno começou chovendo e 1909 acabou da mesma forma. Não escrevo mais porque estou muito ocuppado. Todos os daqui mandam lembranças. Envio lembranças à Alice e outro à Nuno. Vosmecês abençoem o sobrinho saudoso do coração.

 

Assinado: José R.F.Bastos

 

E tem um post scriptum. Danado esse José:

 

– Elisa, não escrevo hoje porque não tenho tempo. Li hontem uma carta de 24 a Antoninho. Peço a N.Senhora que continue a nos proteger.

 

Amém – faço coro de meu sepulcro.

   

Valem alguns detalhes. Impressionante como uma simples carta traga tantas informações. Um detalhe: Paray-le-Monial é uma comuna francesa da Borgonha e o postal trazia um lindo castelo à beira-rio. É o que a memória me traz. Ou trai? 

 

Foi, de fato, férias especiais, como registra a missiva de José.

 

Eu já tinha 54 anos. Carolina, bem mais moça, 41. Registro que estava grávida de Laura, que só viria a nascer em 30 de abril de 1910. Seríamos quase avôs.

 

Ainda não tínhamos casa de praia. Ir para o interior era nosso veraneio.

 

Como a casa do meu meio-irmão, Francolino, e sua mulher Sinhá, em São Gonçalo dos Campos, que fica na região metropolitana de Feira. Na época, era conhecida como Cidade Jardim, com muitas árvores centenárias, florestas tropicais e cerrados, e banhada pelo Rio Jacuípe.

 

Como estará, hoje, esta paisagem?

 

Outro destino inevitável para nossas férias era Santo Amaro da Purificação, que José escreve como Sant´Amaro. Cruzada pelo Rio Subaé, foi terra de indígenas, posteriormente evangelizados pelos monges beneditinos.

 

Fico pensando o que pensariam o Abade Santo Amaro, que recebeu uma Igreja em sua honra, assim como São Gonçalo do Amarante, cuja imagem foi encontrada em Campos da Cachoeira no início do século 18 pelas mãos de jesuítas.

 

Tergisversei pela religião que, como vocês podem perceber, me comove.

 

Itaparica, Conceição da Feira em São Gonçalo dos Campos, Tanquinho e na Chácara do Valado, em Feira – como será citado por Jorge em Conversa com os vivos – 1 – estavam no meu Astrolábio, na minha Bússula, no Mapa da Família.

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Laura
Margot
Hersília

Cartas de Carolina para seu filho José

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 08.08.1918

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 09.02.1929

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 23.10.1929

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 16.09.1939

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 12.10.1939

MINHA ÁRVORE

Filinto Justiniano Ferreira Bastos – 11 de dezembro de 1856 – 8 de fevereiro de 1939

Carolina Rocha Ferreira Bastos – 2 de setembro de 1871 – 20 de março de 1963

FILHAS & FILHOS

Elvira Rocha Ferreira Bastos (1) – 1891 ou 92 – falece cedo

Cora Rocha Ferreira Bastos – 17 de fevereiro de 1893 – 24 de setembro de 1919.

João Rocha Ferreira Bastos – 20 de outubro de 1895 – 27 de setembro de 1940.

José Rocha Ferreira Bastos – 13 de maio de 1897 – 31 de maio de 1972.

Elvira Rocha Ferreira Bastos (2) – 1898 –  falece nos anos 1970 ou 80.

Beatriz Rocha Ferreira Bastos – 1900 – falece por volta dos 25 anos.

Maria Rocha Ferreira Bastos (Mariasinha) – 1902 – falece nos anos 1970 ou 80

Germano Rocha Ferreira Bastos – 1903 – falece com poucos anos.

Filinto Justiniano Ferreira Bastos Filho – 1904 – falece com poucos anos.

Hersília Rocha Ferreira Bastos –  1906 – falece em 1972. 

Georgina Rocha Ferreira Bastos – 10 de setembro de 1908 – 21 de maio de 1937.

Laura Rocha Ferreira Bastos – 30 de abril de 1910  -- falece nos anos 1990.

Margarida Rocha Ferreira Bastos –__fevereiro de 1913 / falece nos anos 1980.    

N

NÓS, OS ROCHA BASTOS
 

Peço licença aos filhos e netos para contar essa história. 
Em anexo a este opúsculo, vale apreciar a Árvore Genealógica.
Nossa primeira filha se chamava Elvira – e faleceu com poucos anos de vida.
Em seguida vieram Cora, João e José.
Tivemos a segunda Elvira e, na sequência, Beatriz, Maria (Mariasinha), Germano e Filinto – os dois meninos também passados na infância.
A família ficou completa com um quarteto feminino: Hercília, Georgina, Laura e Margarida, chamada de Margô ou Margaux ou Margot, pois, poliglota, falava inglês, francês, alemão e italiano, línguas que ensinava. 
Treize enfants. Thirteen children. Dreizehn kinder. 
13 no numeral. Treze por escrito. 
Nem todos comungaram a mesma mesa. Destinos. 
Aos poucos, vou descrevendo meus sentimentos.
Quem diria que eu tive um filho com meu nome – e que não vingou. 
Melhor. Vingança não é a palavra certa. É incerta como a eternidade.
Nas refeições que fazíamos, religiosamente com hora marcada, além da oração inicial, também praticávamos outra língua, inclusive para assuntos que não deveriam ser tratados na frente dos serviçais. 
Aqui seguem as datas de nascimento e falecimento, com o complemento dos nomes de esposos e esposas e filhos e filhas. Nem que sejam aproximadas. 
Optei por letras em vez de números.
Filinto Justiniano Ferreira Bastos – 11 de dezembro de 1856 – 8 de fevereiro de 1939 
Carolina Rocha Ferreira Bastos – 2 de setembro de 1871 – 20 de março de 1963

  1. Elvira Rocha Ferreira Bastos – nasce em 1891 ou 92 (falecida cedo)

  2. Cora Rocha Ferreira Bastos – nasce em 17 de fevereiro de 1893/ falece em 24 de setembro de 1919. Foi casada com Bel. Geraldo de Alcântara Leal e teve os filhos Jorge, Heloisa e Cora.  

  3. João Rocha Ferreira Bastos – nasce em 20 de outubro de 1895 / falece em 27 de setembro de 1940. Foi casado com Maria de Jesus Carneiro da Cunha (Marieta) e teve os filhos Maria Amélia, Filinto Justiniano e José Solano. Promotor Público em Salvador, foi nomeado em dezembro de 1937 como Conselheiro do Tribunal de Contas da Bahia, de onde se aposentou em 27 de agosto de 1940, um mês antes de morrer. 

  4. José Rocha Ferreira Bastos – nasce em 13 de maio de 1897 / falece em 31 de maio de 1972. Casou-se em Florianópolis com Maria de Lourdes Caldeira. Filhos: Mário José, Maria Stella, Maria Thereza, Fernando José, Filinto José , Maria de Lourdes, José, João José e Maria Argentina. Foi Promotor, Procurador Geral, Desembargador, Presidente do Tribunal de Justiça de Santa Catarina e catedrático da Faculdade de Direito de Florianópolis.  

  5. Elvira Rocha Ferreira Bastos – Nasce em 1898 / falece ?. Casou com o comerciante Armando Leal da Silva Moreira. Filho único do casal: Manuel Bastos da Silva Moreira. Apelidado de Nelito, casou-se com Cremilda Fernandes e tiveram Armando, Carolina, Marcos, Alfredo e Ângela.  

  6. Beatriz Rocha Ferreira Bastos – nasce em 1900 / falece na mocidade, por volta dos 25 anos. 

  7. Maria Rocha Ferreira Bastos (Mariasinha) – nasce em 1902 / falece ? Casou-se com Vilobaldo Montenegro e adotou Nice.

  8. Germano Rocha Ferreira Bastos – nasce em 1903 / falece com poucos anos. 

  9. Filinto Justiniano Ferreira Bastos Filho – nasce em 1904 / falece com poucos anos. 

  10. Hersília Rocha Ferreira Bastos – nasce em 1906 / falece em 1972. Solteira. 

  11. Georgina Rocha Ferreira Bastos – nasce em 10 de setembro de 1908 / falece em 21 de maio de 1937. Casou-se com Rodolfo Gomes da Silva Sobrinho. Filhos: Carolina (Lali) e Luís Antonio. 

  12. Laura Rocha Ferreira Bastos – nasce em 30 de abril de 1910 / falece? Solteira. Formou-se em letras e teve alto cargo na Sulacap.

  13. Margarida Rocha Ferreira Bastos –__fevereiro de 1913 / falece? Solteira. Formou-se em Letras, era tradutora e trabalhou na Universidade Federal da Bahia.    

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