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NOBREZA

DEGRAU NOBREZA (?)

Pouco fui de Carnaval. Tenho problema com fardas. Na folia de Momo, farda é fantasia. Se em Veneza usam máscaras, os bailes de salão reprisam brincadeiras entre Condessas e Baronesas. Nas escolas de samba, passistas se vestem como nobres. Prefiro a Ala das Bahianas. Carnaval é ofício para profissional.  
Foi com curiosidade que acompanhei a nobiliarquia brasileira e da realeza que distribuía títulos para os mais ricos. Especialmente os fazendeiros e latifundiários. 
A palavra nobre, por acaso, rima com pobre. O que nada significa.  
No caminho para São Paulo, no navio e no trem, fui descobrindo quem já tinha sido eleito pelo Imperador como Visconde, Conde ou Barão. Fiz pesquisas antes de partir para saber onde iria pisar. Com quem me relacionar. Ou não. Entre todos, tenho admiração por apenas um deles: o de Rio Branco.
Que título eu receberia? 
Imagino-me. Visconde de Bastos. Conde de Feira de Santana. 
Ou Barão de Mont Serrat.  
É por isso que me remeto a alguns ‘nobres’ que ganharam títulos. 
Caso do baiano
Manoel Vieira Tosta, Barão-Visconde- Marquês de Muritiba. Fez parte do pequeno grupo de seis estudantes que primeiro colaram grau no Curso Jurídico de São Paulo, em 1831.  

Na contramão, um homem de origem muito pobre, fez o caminho inverso ao queo destino lhe escrevia. Em 1832, José Antônio Pimenta Bueno formou-se na São Francisco. Foi Visconde e Barão e virou Ministro do Supremo Tribunal de Justiça. 
A ligação ferroviária do Porto Mauá na baía da Guanabara com a encosta da Serra da Estrela valeu o título de Barão de Mauá para o gaúcho Irineu Evangelista de Souza, o chamado pai da industrialização brasileira. Foi em 1854. E 20 anos depois, Visconde.

O que dizer de um Barão nascido no interior de Alagoas? Adianto o tema paraa década de 1930...
Era da cidade em Alagoas onde nasceu Domingos, o jovem estudante de medicina
e pretendente de namoro e casamento com minha neta Heloisa. Francisco Ignacio de Carvalho Moreira estudou os quatro anos no Curso Jurídico de Olinda e fez o 5.° ano em São Paulo. Formou-se em 1839. Impressionante que se tornou um exemplo para a diplomacia brasileira, com atuação em Washington, Roma e  Londres, onde ganhou a confiança da Rainha Vitória. Com atestado assim, virou

Barão de Penedo em 1864. 


Havia os que negavam o título. Exemplo? Gabriel de Almeida Magalhães, formado em 1855, mineiro de São João Del Rei, rico e cheio de serviços à coletividade, ‘recusou In Limine o título de Visconde’. 
Outro exemplo? 
Formado em 1859, o também mineiro José Vieira Couto de Magalhães, recusou o título de Barão de Corumbá pelos serviços militares na Guerra do Paraguai. Preferiu os galões de general do Exército. 
Só sorrindo.

 

Muitos, muito além do título, se destacaram na área do Direito. Caso dos Viscondes do Uruguay e do Cayrú e do Barão de Lucena, nomes que citei em meus livros por suas pontuações jurídicas.

De todos, o que mais admiro é o título de Barão do Rio Branco, dado para José Maria da Silva Paranhos Júnior, que estudou no Largo de São Francisco entre 1962 e 1865, com formação em Recife em 66. Deixou tradições para

novos alunos como eu. 
Voltarei com ele a seguir, no tema Diplomacia. 
Onde estarão seus descendentes? 

Quis o destino que o patrono da minha cadeira 21 na Academia de Letras da Bahia seja Francisco Bonifácio de Abreu. Que é o Barão de Vila da Barra.
Acaba de me surgir uma questão: será que posso virar patrono no futuro? 
Argua por mim, por favor.
Como já disse, dessa santidade escapei…
 

1_Manoel Vieira Tosta, Barão-Visconde- Marquês de Muritiba.

2_José Antônio Pimenta Bueno -Visconde e Barão.

3_ Irineu Evangelista de Souza-Barão de Mauá e Visconde.

4_ Francisco Ignacio de Carvalho Moreira-Barão de Penedo.

5_Paulino José Soares de Sousa-Visconde do Uruguay

6_José da Silva Lisboa-Visconde de Cayrú

7_Henrique Pereira de Lucena-Barão de Lucena

8_José Maria da Silva Paranhos-Barão do Rio Branco

9_Francisco Bonifácio de Abreu-Barão da Vila da Barra

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