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JURISTA ABOLICIONISTA FEMINISTA

   A segunda vida
           de

Filinto 

Bastos

               "Morri, mas sigo vivo".

   

   Romance Histórico de Ninho Moraes

   A segunda vida
           de

Filinto 

Bastos

               "Morri, mas sigo vivo".

   

   Romance Histórico de Ninho Moraes

                                              Pesquisa de Isadora Leal & Ninho Moraes 

 

                           

Fiat iustitia, et pereat mundus

Immanuel Kant 

 

O direito natural não é a lei nem o ideal da lei: é a regra suprema da legislação. 

Se o legisladôr se apartar dele, faz uma lei injusta ou má.  

                                    F.B.

 

Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte.

BRÁS CUBAS




 

Pesquisa literária sobre F.B. por Rita Trabuco

Introdução parte 3 - Direito por Geraldo Lavigne de Lemos 

Árvore Genealógica por Fernando Bastos Filho

Site www.filinto-bastos.com.br por Ana Braga 

Revisão por Felipe Leal

O autor optou por transcrever trechos de livros, artigos, cartas e documentos conforme a ortografia da época.  


 

Para Jorge, Heloisa e Cora, 

filhos de Geraldo Alcântara Leal e Cora Bastos Leal 

 

Parte 1 - Minha Vida - página 13

Parte 2 - Minha Família - página 173  

Parte 3 - Meu Direito - página 270 

Parte 4 - Minhas Ficções: uma novela e uma tradução - página 293 

 

INTRODUÇÕES

 

"UM MOÇO INTELLIGENTE, HONESTO E SOBRE TUDO, UM JUIZ RECTO"

jornal A Lanterna, 1887

Bem vinda. Bem vindo. 

Pesquisa literária sobre F.B. por Rita Trabuco

Introdução parte 3 - Direito por Geraldo Lavigne de Lemos 

Árvore Genealógica por Fernando Bastos Filho

Site www.filinto-bastos.com.br por Ana Braga 

Revisão por Felipe Leal

O autor optou por transcrever trechos de livros, artigos, cartas e documentos conforme a ortografia da época.  


 

Para Jorge, Heloisa e Cora, 

filhos de Geraldo Alcântara Leal e Cora Bastos Leal 

 

Parte 1 - Minha Vida - página 13

Parte 2 - Minha Família - página 173  

Parte 3 - Meu Direito - página 270 

Parte 4 - Minhas Ficções: uma novela e uma tradução - página 293 

 

INTRODUÇÕES

 

"UM MOÇO INTELLIGENTE, HONESTO E SOBRE TUDO, UM JUIZ RECTO"

jornal A Lanterna, 1887

Bem vinda. Bem vindo. 

O livro que você começa a ler é um romance histórico sobre a vida de Filinto Bastos – e de seu amor por Carolina, a Calu, casados em 1890. Não espere uma biografia no sentido estrito da palavra. Tem forte pesquisa de dados e toma a liberdade, ao usar a "ficção", para que o "próprio personagem" faça a narração. Católico dedicado, líder na luta abolicionista nas Faculdades de Direito de São Paulo e Recife, tradutor poliglota, poeta versátil, jurista de renome, educador nato, respeitado por seus pares nas "lentes" e alunos, democrata nato, defensor dos direitos da mulher e dos mais necessitados, Filinto Bastos foi fiel a seus princípios éticos – o que muito significa. O que as biografias oficiais não contam são suas alegrias nas cidades em que viveu depois de formado – especialmente Amargosa, onde conheceu Calu –, as viagens de passeio pelo Recôncavo e para Feira de Santana, sempre com filhos e netos – alguns criados pelo casal. Mas também as tristezas e mazelas com inúmeras perdas familiares – a começar pelos pais, falecidos quando era criança – e de alguns filhos que se foram ainda no berço, na infância, na juventude e até na idade adulta. Assistiu seus familiares enfrentarem diferentes "pandemias" típicas da segunda parte do século XIX (tifo, tuberculose, esquistossomose…) e da primeira do século XX ("Gripe Hespanhola", entre outras), além de partos feitos em casa.  O livro A segunda vida de Filinto Bastos procura trazer o legado que deixou através de inúmeros livros e das muitas famílias que se aliaram à sua saga: Borja, Rocha, Pirajá da Silva, Alcântara Leal, Caldeira, Moraes, Lavigne de Lemos, Solano… Trata-se de um trabalho em progresso que surgiu a partir de uma conversa com a prima Isadora. Em 2022, denominamos Projeto Filinto, criamos e-mail, fizemos telefonemas, disparamos mensagens, visitamos instituições e iniciamos algumas viagens. Em Feira de Santana, onde o Fórum já leva seu nome, o espaço em um casarão centenário preserva sua memória, ao lado de outros ilustres feirenses. Fomos a Amargosa, terra de nossa bisavó (e da fazenda Timbó) e Florianópolis. Mapeamos Salvador em museus, cartórios e visitas particulares. O primo Fernando Bastos Filho, também bisneto, plantou a frondosa Árvore Genealógica. Grande parte do material está no site www.filinto-bastos.com.br. Visite. Hoje, a família se espalha por vários países, cidades e estados – especialmente Salvador e Ilhéus-BA, Vitória-ES, Rio de Janeiro-RJ, São Paulo-SP e Florianópolis-SC. Procurei fazer a narrativa em ordem cronológica, com idas e vindas. Na segunda parte do livro, dedicada ao Direito, o advogado-trineto Geraldo Lavigne de Lemos discorre sobre sua importância jurídica. Você, leitor, pode contribuir com esta obra, que se pretende coletiva. Aponte erros, contribua com novas informações e escreva para nosso e-mail  filinto.bastos2022@gmail.com .

Boa leitura!

Ninho Moraes, filho de Heloisa, neto de Cora-mãe, bisneto de Filinto.

 

                                                           MESTRE

A figura do mestre e bisavô Filinto Justiniano Ferreira Bastos desperta, em seus descendentes, a vontade de conhecer melhor a sua vida, os seus feitos, os seus amores, o seu viver. Escrever sobre Filinto, homenagear a pessoa marcante que foi, a sua trajetória, é um desafio prazeroso assumido por Ninho Moraes com maestria, presenteando-nos com A segunda vida de Filinto Bastos. As reuniões com os primos "conquistados" pela sua personalidade marcante e residentes em lugares distantes, as viagens para os locais onde Filinto nasceu, estudou, constituiu família  e residiu, os contatos e pesquisas nas Faculdades de Direito onde estudou e lecionou, Poder Judiciário, prefeitura de Feira de Santana, Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, Academia de Letras da Bahia, Igrejas onde orou, o Museu de Arte Sacra da Bahia onde foi o Seminário que estudou, entre outros, formam os pilares da pesquisa para conhecermos mais e mais de Filinto. Criança, ainda ouvia do meu pai os relatos sobre o jurista brilhante que deixou como legado uma vida pautada no humanismo, no impecável desempenho como operador do Direito – Advogado, Promotor de Justiça, Juiz, Desembargador, Professor – e no trato amoroso com a sua família. O poeta Filinto canta a beleza da mulher amada. Descreve a sua terra natal, Feira de Sant´Anna. Clama contra a injustiça social e a escravidão em versos e prosas imortalizados em seu Bloco de Anotações. O humanista revela-se no abolicionista, na indignação perante a “tyirania vil e degradante da escravidão”. O Pai/Avô amoroso envolve filhos e netos em abraços de carinho e encantamento. Abraça a mulher com amor intenso e doce. Filinto ressurge numa segunda vida, na primeira pessoa, pela pena de Ninho Moraes, em uma escada imaginária, galgando os degraus da sua existência, do seu estilo de vida e valores dos séculos XIX e XX, da sua família, dos momentos calmos e glamourosos, dos momentos de guerra e conflitos sociais aqui e em outras partes do mundo. Podemos comparar a um mergulho gostoso nas águas claras da nossa baía de Todos os Santos resgatando o homem sensível, corajoso, conhecedor das artes, das ciências, do saber jurídico e que sempre teve em mente e de forma constante, “os preceitos do direito expressos na concisão do brocado romano: viver honestamente, a ninguém lesar, dar a cada um o que é seu”. Nesta volta ao passado, neste evocar, não há fuga, ao contrário, mais estímulo  para uma prática de vida lastreada na honestidade e na liberdade.

Isadora Leal, filha de Jorge, bisneta de Cora-mãe e Filinto.

 

A CAMINHADA NO RASTRO DOS PASSOS DE FILINTO BASTOS

A curiosidade é uma coisa engraçada. Nos motiva e nos cativa. Sempre fui curioso em saber das origens das minhas famílias, a paterna Bastos e a materna Caldeira.  Mas não fui forte o suficiente para buscar estas origens no seu tempo devido. Principalmente por parte da minha bisavó materna – a querida vó Aninha, como a chamávamos. Apesar de muitas pesquisas, não descobrimos sua real ascendência, fato que me deixou – e me deixa – muito triste. Talvez por isso, comecei a procurar informações para montar a Árvore Genealógica da Família Bastos, que começou no século 19 com o português João Justiniano Ferreira Bastos, vindo da Cabeceira dos Basto – sem S – para Feira de Santana. Era meu tataravô. A união do filho de João, Filinto Justiniano Ferreira Bastos, com Carolina da Silva Rocha montou o tabuleiro. As primas Isadora e Maria Luiza e a pesquisadora Rita Trabuco foram peças-chave. O xeque mate foi o encontro com o primo Ninho Moraes, que estava começando a preparar um Romance Histórico sobre a vida e obra de Filinto Bastos. Ele, de São Paulo, eu de Florianópolis, combinamos um encontro em Salvador. Com apoio logístico de Isadora – que participa da empreitada desde o início – fomos conhecer e visitar locais por onde Filinto Bastos tinha passado, vivido, trabalhado, morado. Chegamos a caminhar 11 quilômetros por ruas e ladeiras. Foi um dos melhores momentos que vivi. Descobrir Salvador e descobrir a importância de Filinto Bastos para a Bahia e para o Brasil me deixam muito orgulhoso. Parabéns, Ninho, pelo trabalho incansável que estás fazendo. Fico feliz em poder te ajudar, nem que seja um pouco. Com a ajuda de todos, vamos vivenciar, hoje, a vida do nosso querido bisavô Filinto Bastos.

Fernando Bastos Filho, filho de Fernando, neto de José, bisneto de Filinto.

 

NA BUSCA PELA POÉTICA DE FILINTO BASTOS

No meio do caminho, bem no meio do caminho da minha vida acadêmica, encontrei o amor pelo abolicionista e poeta romântico Filinto em quem, a dureza de um período insano, o fez compor Cena Comum – e com a leveza de ser F.B. Natural da mesma cidade do ilustre jurista e sob orientação do professor Adeítalo Pinho, fiz minha pesquisa. Ler a biografia escrita por Fernando Alves foi um privilégio inenarrável. Buscas e conversas com inúmeras pessoas me ajudaram a encontrar Isadora Leal, de Salvador, também natural de Feira, simpática e atenciosa, marca da família.Na sequência, passei a acompanhar a montagem da Árvore Genealógica que começava a ser montada por Fernando Bastos Filho, de Santa Catarina, e a escritura de um livro meio-biografia, meio romance histórico, de Ninho Moraes, de São Paulo. São os bisnetos em ação. Tenho visitado instituições – Museu Casa do Sertão, Biblioteca Julieta Carteado, CEDOC, Cúria Metropolitana, Igreja Matriz de Feira de Santana, Igreja e Cemitério Piedade de Humildes, Arquivo Público Municipal e IHGS  – e conversado com professores. Em Salvador, também busquei instituições e arquivos. Mas a visita mais significativa aconteceu em 18 de março de 2018 na casa de veraneio na ponta de Humaitá, Cidade Baixa, comprada em 1917 por Filinto Bastos – e hoje ainda da família. Ainda busco palavras para descrever esse momento. Ainda sinto o vai-e-vem das ondas, trazendo a paz e equilíbrio que também norteou o viver do poeta. Visitar o espaço foi e é a melhor semente desse plantio que ainda está no início.  As surpresas positivas foram e são imensas a cada descoberta sobre o menino, sobre o estudante das primeiras letras, sobre o seminarista, sobre o estudante de direito, sobre o presidente da Sociedade Abolicionista, sobre o poeta, o advogado, o juiz, o professor catedrático e o desembargador. E, acima de tudo, o filho, o pai, o tio, o avô e o amigo de todos. É enriquecedor estudar a vida e obra de Filinto Justiniano Ferreira Bastos e visitar espaços de tão significativas vivências. Conhecer o seu amor pelos ‘tabuleiros de alecrins’.

F.B. certamente seria torcedor do "Touro do Sertão".

Fica aqui o enigma para quem ler "A Vingança do Vaqueiro", na parte final do livro... 

Rita Trabuco defendeu mestrado  com a monografia O poeta Filinto Bastos: Romantismo, Abolicionismo e Memória na Feira de Santana dos séculos XIX e XX na Universidade Estadual de Feira de Santana (2019).

 

FONTES DE PESQUISA

INSTITUIÇÕES 

Academia de Letras da Bahia / ALB - Salvador

Associação Filinto Bastos - fundada em 1º de maio de 1947 por ex-alunos dos Seminários Católicos de Salvador - BA 

Câmara Municipal de Feira de Santana - BA

Fundação Casa de Jorge Amado / Largo do Pelourinho - Salvador - BA

Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo / FDUSP - São Paulo - SP

Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia / UFBA - Salvador - BA

Fórum Filinto Bastos - Feira de Santana - BA

Grupo de Estudos Literários Contemporâneos da Universidade Estadual de Feira de Santana / UEFS - Feira de Santana - BA

Instituto Geográfico e Histórico da Bahia / IGHB - Salvador - BA

Cedoc (Centro de Documentação) - jornal A Tarde / Salvador - BA

Museu de Arte Sacra da Universidade Federal da Bahia / MAS - Salvador

Ordem Terceira de São Francisco / Salvador - BA

 

APOIOS DAS FAMÍLIAS 

Família Caldeira Bastos / Florianópolis - SC 

Família Bastos Solano /  Rio de Janeiro / Espírito Santo

Família Borja / Salvador - Bahia  

Família Lavigne de Lemos / Ilhéus - Bahia

Família Alcântara Leal / Alagoinhas e Salvador - Bahia

Família Leal de Moraes / São Paulo - SP

Família Pinto de Queiroz / Salvador - Bahia

 

AGRADECIMENTOS

Aleilton Fonseca - membro da ALB - Salvador - BA

Alexandra Vieira de Carvalho Santana - Estudos Afro-Orientais - UFBA 

Ana Angélica Vergne de Moraes (in memoriam) - neta  de Pedro Vergne de Abreu

Antônio Rodrigues de Freitas Júnior - professor associado Direito - USP  

Bruno Lopes do Rosário - coordenador do Arquivo da ALB - Salvador - BA

Carlos Brito - secretário de planejamento da Prefeitura de Feira de Santana - BA

Carlos Melo - historiador e memorialista de Feira de Santana - BA

Carla Balmant Andrade - Cartório da Vitória - Salvador - BA 

Célia Zaffarolle - conselheira seccional OAB - SP

Claudio Queiroz - advogado - Salvador - BA

Cleidiana Ramos -  curadora do Cedoc (Centro de Documentação) - jornal A Tarde - BA

Eduardo Borja - parente

Fernando Pinto de Queiroz - (in memoriam) 

Ivan Alex Teixeira Lima - Gabinete do Governo do Estado da Bahia

Jayme Baleeiro - parente

José Carlos Franco

Jorge Boucinhas - professor FGV - SP

Julio Cesar de Sá da Rocha - Diretor da Faculdade de Direito da Bahia

Maria Luiza Lavigne Alves & Bosco Moraes Alves - parentes 

Rubem Coelho - arquivista do Cedoc (Centro de Documentação) - jornal A Tarde - BA 

Stella Leal de Moraes - parente

 

AGRADECIMENTOS ESPECIAIS

João José (Dão) Caldeira Bastos, advogado e professor, e Marina Deggau, professora - arquivistas informais de parte do acervo de José Rocha Ferreira Bastos (filho de FB)  -  Florianópolis - SC 

Jorge Lordello (in memoriam)  - Associação Filinto Bastos - Salvador-BA

Gildásio (Gil) Xavier (in memoriam) - advogado - Salvador - BA   

Lucia Bastos Abraham - professora e arquivista informal de parte do acervo de José Rocha Ferreira Bastos (filho de FB) - Florianópolis - SC

Raul Lomanto Neto - Estudioso e memorialista de Amargosa - BA

O que se lê neste livro não tem valor algum, mas é trabalho meu e só meu. 

                                                                        em Bloco de Anotações

Meu nome é Filinto Justiniano Ferreira Bastos.

É uma prazer lhe conhecer.

Fiquei conhecido como recatado.

Minha vaidade estava embutida na imagem que de mim fizeram.

Deixei muitos livros e filhos.

Os filhos me deram alegrias e descendentes.

Orgulho-me das lutas pelo abolicionismo, pelas leis e pela defesa dos direitos da mulher.

Acho curioso alguém se interessar em escrever a minha "Segunda Vida". 

Quem sou eu, apenas um imortal da Academia de Letras da Bahia?

Quem fui eu, apenas um professor e diretor da Faculdade de Direito da Bahia?

Quem serei eu, apenas um amante das letras e das línguas?

Nunca escrevi um Diário. Achava mundano.

Já tive uma biografia, A Justiça através de um Juiz (S.A. Artes Gráficas, 1956, Bahia), de Fernando Alves, promotor que me colocou no banco de réus. Sai imune e inocentado, porque a delicadeza do autor poupou detalhes particulares e familiares. 

Concedo Habeas Corpus para ele e aguardo o veredito do meu bisneto, filho de Heloisa e Geraldo Leal, conhecido por Ninho. Apelido curioso. 

Corajoso. 

Dou minha benção.

Não virei padre ... mas reconheço que tenho jeito de beato. 

Boa leitura a todos.

Com esta pequena introdução...

CHUVA

Vai chover.

Em Salvador, as chuvas são intempestivas.

As tempestades, impetuosas.

Aqui estou protegido.

Na minha caixinha.

O espaço é pequeno.

De nada sinto falta.

Nem do ar.

Agora sou só eu.

 

ORDEM TERCEIRA

Cá estou eu na Igreja da Ordem 3ª Secular de São Francisco da Bahia.

 

O destino me quis aqui.

Entrei como figurante e como figurante permanecerei.

Ao lado de Carolina e de meus filhos João e Hercília.

Silencio sepulcral, se me permitem a liberdade poética.

 

A fachada da Igreja é atribuída ao mestre Gabriel Ribeiro, a quem me reverencio.

Que lindeza, que detalhamento, que delicadeza.

E que presteza. Tudo indica que começou a ser construída em 1º de janeiro de 1702 e finalizada em 22 de junho de 1703, embora a fachada só tenha sido entregue, completa, em 1705. Nem os mais ágeis engenheiros europeus conseguiriam tanta rapidez.

 

O Claustro é pura inspiração poética, apesar do drama retratado. Afinal, tem uma imensa coleção de azulejaria que revelam o terrível terremoto de 1755. O interior da Igreja é atribuído ao mestre entalhador José de Cerqueira Torres, que seguiu o estilo Neoclássico com talha dourada. Já o teto da nave só foi elaborado em 1831, com pinturas atribuídas a Franco Velasco, que as inseriu nos caixotões.

 

De lá, já iniciei algumas procissões, que tinham (ainda tem?) como ponto de partida a Sala dos Santos, com 25 nichos e um altar central. Aí, já obra do mestre entalhador Joaquim Francisco de Matos Roseira. Ares agradáveis na Sacristia pelo seu piso em mármore preto e branco, guarnecido por uma faixa de azulejos que reproduzem cenas urbanas de caráter profano. Ainda da primeira metade do século XVIII, um magnifico lavabo é feito em mosaico de mármore.

Só me resta dar uma suave reprimenda aos meus descendentes que deixaram cair algumas letras.

Virei Fi____tiniano _ erreira _asto.

 

Mas já recebi a promessa dos bisnetos de que será arrumado em breve.

 

Para chegar até mim, onde ora repouso, recomendo descer a escadaria de pedra original, também dos mil e setecentos e tanto, cujos azulejos reproduzem cenas de batalha bíblica.  

 

Serão muitos Degraus, como os que você enfrentará neste livro.

 

Agradeço a visita e a leitura...

 

‘NÓS’ 

Quem lhe ensinou a dar o laço do sapato?

 

Aprendi com Rita – e mais tarde você descobrirá quem foi. Talvez o primeiro grande aprendizado de uma vida. Esticar o cadarço, dar o primeiro nó, puxar o laço e apertar. É bem mais simples do que os ‘Nós Górdios’ que vi nos navios e vapores que peguei. Também os Nós Górdios da Justiça brasileira que tive de desfazer.

 

Nem eu nem você somos ‘frigios’.

 

Caso você chegue ao final do livro, explico porque estou falando sobre isso.

Neste tabuleiro de uma vida, iremos vencendo etapas.

 

Reza uma lenda grega:  O oráculo da cidade de Telmesso decretara que o próximo habitante a chegar em um carro de boi deveria ser ungido a rei. Os frigios tinham perdido o seu – e não havia descendentes.

 

Pois bem. Quem adentrou a cidade, justamente toureando um carro de boi, foi o camponês Górdio. Górdio tinha um filho Midas, mais tarde muito mais famoso do que o pai por transformar em ouro alguns objetos que tocava.

 

Para homenagear o destino familiar, Midas mandou suspender a carroça paterna para que ficassse exposta. O nó precisaria ser inextrincável. Criou-se o nó górdio.

 

São tantos os NÓS que precisamos destrinchar ao longo da vida que, como dito acima, vou deixar para o final.

BOAS VINDAS

Como escreveu Mark Twain, citado pelo próprio biografado em um de seus livros:

– A história não se repete, mas rima.

Os alunos do professor Filinto Bastos acertavam os ponteiros dos relógios pela entrada em sala de aula.  

Vou acertar pelo meu.

O livro que você começa a ler ainda não tem um PONTO FINAL.

É um romance histórico sobre as vidas de Filinto & Carolina.

Trata-se de um "trabalho em progresso" a partir do Projeto Filinto Bastos, que Isadora Leal (filha de Jorge, filho de Cora, filha de FB) e eu criamos para prestigiar e eternizar as boas lembranças e recuperar e resgatar as memórias perdidas (leia mais no tópico 'Ninho & Isadora, os Leais', aqui no site).

A primeira versão digital, em PDF, foi lançada no dia 11 de dezembro de 2022 para aproveitar a comemoração dos 166 anos de nascimento de Filinto Justiniano Ferreira Bastos.

É, também, uma homenagem para Carolina Rocha Ferreira Bastos, a Calu, nascida em dois de setembro de1871 e falecida em 21 de março de 1963.

Eles se casaram em 1890.

Não é uma biografia no sentido estrito da palavra.

Tem forte pesquisa de dados e toma a liberdade, ao usar a ‘ficção’, para que o próprio personagem conte sua história.

 

Vários sobrenomes se aliaram: Borja, Pirajá da Silva, Leal, Caldeira, Moraes, Lavigne de Lemos, Solano...

Hoje, a família se espalha por várias países, cidades e estados.

Especialmente Salvador e Ilhéus-BA, Vitória-ES, Rio de Janeiro-RJ, São Paulo-SP e Florianópolis-SC.

 

Procurei fazer a narrativa em ordem cronológica, com idas e vindas.

Na próxima ‘versão’, traremos os nomes de primos e parentes próximos e distantes que colaboraram com fotos, cartas, publicações e lembranças.  

Pedimos a sua compreensão: falta uma revisão final de português. A urgência em antecipar o livro e o site adiou essa tarefa.

Nos textos do próprio Filinto – e de algumas publicações – mantivemos a ortografia e a gramática da época.

Boa leitura!

Ninho Moraes, filho de Heloisa, neto de Cora-mãe, bisneto de Filinto.

Como escreveu Mark Twain, citado pelo próprio biografado em um de seus livros:

– A história não se repete, mas rima.

Os alunos do professor Filinto Bastos acertavam os ponteiros dos relógios pela entrada em sala de aula.  

Vou acertar pelo meu.

O livro que você começa a ler ainda não tem um PONTO FINAL.

É um romance histórico sobre as vidas de Filinto & Carolina.

Trata-se de um "trabalho em progresso" a partir do Projeto Filinto Bastos, que Isadora Leal (filha de Jorge, filho de Cora, filha de FB) e eu criamos para prestigiar e eternizar as boas lembranças e recuperar e resgatar as memórias perdidas (leia mais no tópico 'Ninho & Isadora, os Leais', aqui no site).

A primeira versão digital, em PDF, foi lançada no dia 11 de dezembro de 2022 para aproveitar a comemoração dos 166 anos de nascimento de Filinto Justiniano Ferreira Bastos.

É, também, uma homenagem para Carolina Rocha Ferreira Bastos, a Calu, nascida em dois de setembro de1871 e falecida em 21 de março de 1963.

Eles se casaram em 1890.

Não é uma biografia no sentido estrito da palavra.

Tem forte pesquisa de dados e toma a liberdade, ao usar a ‘ficção’, para que o próprio personagem conte sua história.

 

Vários sobrenomes se aliaram: Borja, Pirajá da Silva, Leal, Caldeira, Moraes, Lavigne de Lemos, Solano...

Hoje, a família se espalha por várias países, cidades e estados.

Especialmente Salvador e Ilhéus-BA, Vitória-ES, Rio de Janeiro-RJ, São Paulo-SP e Florianópolis-SC.

 

Procurei fazer a narrativa em ordem cronológica, com idas e vindas.

Na próxima ‘versão’, traremos os nomes de primos e parentes próximos e distantes que colaboraram com fotos, cartas, publicações e lembranças.  

Pedimos a sua compreensão: falta uma revisão final de português. A urgência em antecipar o livro e o site adiou essa tarefa.

Nos textos do próprio Filinto – e de algumas publicações – mantivemos a ortografia e a gramática da época.

Boa leitura!

Ninho Moraes, filho de Heloisa, neto de Cora-mãe, bisneto de Filinto.

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