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LINHA DO TEMPO_FILINTO BASTOS

FILINTHO FELINTO FILINTO

Por que Filinto?

Porque Filinto, pois sim.

Não tive a oportunidade de perguntar aos meus pais sobre o porquê de Filinto.

Conheci poucos. Já fui chamado, inúmeras vezes, de ‘Felinto’, com ‘E’ bem sonoro. Meu próprio pai, João Justiniano, me declarou como ‘Felinto’ em seu testamento. Felizmente não prosperou.

Como conferi no Instituto Geográfico e Histórico Brasileiro, o nome é mais forte na Bahia. Cerca de 40% dos Filintos brasileiros são bahianos, seguidos por maranhenses e paulistas. Parece que somos apenas 0,0003 da população brasileira.

Quem sou eu?

É uma pergunta que todos nos fazemos ao amanhecer. Após uma noite de sonhos e/ou pesadelos, avaliamos o que significa nossa presença no planeta. Mesmo que nós não saibamos disso. Diariamente, me olho no espelho e enxergo um Filinto diferente.

Posso estar triste. Esfuziante. Acanhado. Desafiador. Polêmico.

Passaria o dia colocando palavras para designar meu estado de espírito.

Filinto não é um nome comum no Brasil.

Feita essa introdução ao tema sobre a pergunta 'quem sou eu?'.

Fui um pouco mais adiante. Dizem por aí que significa Literato. Na Grécia, seria Amigo.

Filinto Elísio é personagem da peça Misantropo, de Molière, que utilizou um pseudônimo de um poeta português que viveu entre 1734 e 1819. O nome de verdade era Francisco Manuel do Nascimento. Na ortografia antiga escrevia-se Filinto Elysio. Quem lhe sapecou o apelido, ou nome simbólico, praxe na época, foi a Marquesa de Alorna, para quem tinha ensinado latim no Convento de Chelas, onde estava reclusa.

No teatro, Filinto é amigo da personagem Alceste. Vou me poupar de entrar em detalhes na dramaturgia recheada de criaturas que variam da histeria ao hiperbolismo, com exageros, falso moralismo e lacaios.

Resumindo Misantropo: Molière nos conta que, no mundo real, permeia certa hipocrisia, essencial para que funcione. Um mundo social com relações informais e seres vivendo hipocritamente com a convivência falsa. Nascido em Paris em 1622, Jean-Baptista Poquelin/Molière ilustra o que Aristóteles escreveu na Política há 2.300 anos.

Ou seja, não há novidade na hipocrisia que constatamos no dia-a-dia.

Basta reler o discurso que proferi, como paraninfo, para os estudantes de Direito da nossa Faculdade Livre.

Um deles ocupou a cadeira 3 da Academia Brasileira de Letras, Filinto de Almeida. Nunca o li. Talvez não me tenha lido também. Mais cheio do que eu, inclusive no bigode vasto – o meu era basto – foi poeta lírico e parnasiano. Explica-se seu nome de batismo: nasceu no Porto, Portugal, terra dos Filintos.

Por sorte, pessoalmente nem profissionalmente, não tive contato com outro homônimo, um militar que virou da polícia secreta getulista e, depois, político. O sobrenome era Müller. Sem comentários.

 

Só me resta a distinção dos Bastos: ex-Libris Não se rendem. 

Entre tantos fatos históricos, tentei não me render. 

VIDA E HISTÓRIA

1847 – Dom Pedro II assume como Imperador.

1853 – Nascimento do meu meio-irmão Francolino Augusto d’ Oliveira.

1856 – Casamento dos meus pais em 17 de janeiro.

1856 – Nascimento de Filinto em 11 de dezembro.

1857 – Nascimento da minha irmã Elvira.

1860 – Em 24 de agosto, falece a mãe Maria Alvina d´Oliveira Bastos, em Feira. 

1861-65 – Guerra de Secessão/ Civil nos Estados Unidos da América.

1863 – Em 20 de julho, falece meu pai João Justiniano Ferreira Bastos, em Portugal.

1864-70 – Guerra do Paraguai com Estados Unidos do Brasil.

1870 – Entrada Seminário Menor.

1872 – Seminário Maior de Santa Teresa.

1875 – Formado em Estudos Teológicos.

1876 – Emancipado pelos tutores em fevereiro (faria 20 anos em dezembro de 76).

1877 – Preparatório na Faculdade de Medicina.

1878 – Ingresso na Faculdade de Direito de São Paulo.

1882 – Transferência para Faculdade de Direito de Recife – Conclusão: 30/10 

1882 – Publicação do Discurso que seria pronunciado no Festival do Club Abolicionista.

1883 – Promotor em Camisão (hoje Ipirá) – Bahia.

1884 – Juiz municipal de Orfãos do Termo de Tapera com sede Camisão – Bahia.

Na sequência, ascendi para as comarcas de Caetité, Caravelas e Amargosa – Bahia.

1888 – Lei Áurea assinada pela Princesa Isabel.

1889 – Proclamação da República.

1891 – Casamento no dia 10 de janeiro com Carolina da Silva Rocha.

1892 – Em 03 de agosto, assumo como juiz de 1ª Entrância em Salvador.

1894 – Sócio-efetivo fundador do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia.

1895 – Em 20 de março, ingresso no corpo docente da Faculdade de Direito da Bahia.

Assumo o lugar de Leogevildo Filgueiras na disciplina de Filosofia e História do Direito.

1896-97 – Guerra de Canudos.

1897 – Em 07 de julho, assumo como efetivo na 5ª Seção da Justiça de Salvador.

1897 – Presto concurso para o 1º Tribunal da Apelação e Revista, com a tese Da Disponibilidade.

1897 – Catedrático, por acesso, na cadeira de Direito Civil, 1ª parte, depois Direito Romano, na

Faculdade Livre de Direito da Bahia.

1904 – Revolta contra Oswaldo Cruz e a Vacina da Varíola.

1912 – Bombardeio de Salvador pós conflito político entre Rui Barbosa e J.J. Seabra, autorizado

pelo Presidente Hermes da Fonseca.

1914-1918 – Primeira Guerra Mundial.

1917 – Na fundação da Academia de Letras da Bahia, assumo a cadeira 21.

Patrono: Francisco Bonifácio de Abreu (Barão da Vila da Barra).

1917 – Compro casa de veraneio na rua Santa Rita Durão 50, Ponta de Mont Serrat / Ponta de

Humaitá, Cidade Baixa, Salvador.

1917 – Revolução Comunista na Rússia inicia a União Soviética.

1918 – Gripe Espanhola.

1922 – Semana de Arte Moderna em São Paulo.

1922-1938 – Lampião e Maria Bonita comandam o Cangaço.

1923 – Em 31 de dezembro, efetivo como Sócio Honorário, participo de uma Assembléia no IGHB

para aprovar a construção de um Monumento Commemorativo do Centenário da Redempção da Bahia (02 de julho).

1925 – Eleito diretor da Faculdade de Direito.

1926 – Reeleito diretor.

1929 – Crash na Bolsa de Valores de Nova York.

1930 – Tomada de poder por Getúlio Vargas finaliza a República Velha.

1932 – Revolução Constitucionalista em São Paulo.

1929-31 – Compro casa de moradia na Rua Joana Angélica 110, centro de Salvador.

1931 – Com o fim do curso de Direito Romano assumo a disciplina de Economia Política e Ciências

das Finanças (4º ano).

1931 – Assumo a cadeira de Latim no Curso Anexo para o Vestibular.

1934 – Aposento-me do Tribunal de Apelação e Revista.

1936-39 – Guerra Civil Espanhola.

1937 – Golpe do Estado Novo por Getúlio Vargas.

1939 – Faleci na quarta-feira à noite, dia 08 de fevereiro, na minha casa na Rua Joana Angélica.

1939-1945 – Segunda Guerra Mundial.

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