FAMÍLIA FERREIRA BASTOS
PAI JOÃO JUSTINIANO
Aqui lhe apresento meu pai. Réu, confesso que pouco vi seu rosto. Criança, ainda, corri com ele pelo Candeal, acompanhei
muitas refeições, mas suas atribuições e preocupações eram muitas.
Maiores do que eu mesmo poderia imaginar.
Salve o fotógrafo. Salve quem se preocupou em manter o registro...
Como dito, meu pai veio, viu e venceu.
Voltou, porém, antes de registrar os frutos de sua vida.
Acho que a tristeza e a melancolia, ou algo que não consigo identificar, possivelmente uma doença,
levou João Justiniano a fazer o ‘eterno retorno’ para Portugal.
Faleceu cerca de seis meses depois em Afife, no dia 20 de julho de 1863, Freguesia de Viana de
Castelo, Portugal, conforme documento já publicado.
MÃE MARIA ALVINA
Aqui vale um interregno.
Não falo do intervalo entre dois reinados e sim de um intervalo momentâneo para falar de minha
mãe.
Maria Alvina de Oliveira Bastos nasceu na freguesia de Nossa Senhora dos Humildes, Feira de
Santana, Bahia – Brasil, data desconhecida, e faleceu em 23 de agosto de 1860 em Feira de
Santana, Bahia – Brasil.
Antes de se casar com João Justiniano, em 17 de janeiro de 1856, ficou viúva do capitão José
Vitorino de Oliveira, com quem teve Leobino Augusto d´Oliveira (falecido cedo) e Francolino
Augusto d’ Oliveira (21/04/1853 – 07/05/1918). Leobino e Francolino são nomes que me divertem.
Como você já deve ter notado, aprecio nomes. Parece que declaram o caráter. Deveria ter estudado
Onomástica.
Meu pai teve a hombridade de assumir Francolino, que nasceu no dia em que se comemora a
Inconfidência Mineira. Três anos mais velho do que eu. Nos conhecemos muito bem. Éramos amigos.
Advogado, casado com Sinhá, moradores de São Gonçalo, só veio a falecer em maio de 1918.
E a quem dediquei um de meus livros.
João & Maria tiveram:
Elisa, falecida com menos de quatro anos.
Maria Quitéria, falecida antes de completar sete anos.
Eu, Filinto, nascido em 11 de dezembro de 1856.
Elvira, nascida em 15 de novembro de 1857.
João tinha ‘por volta de 38 anos’.
Maria tinha ‘30 anos mais ou menos’.
A expectativa de vida do brasileiro era de 31 anos de idade, aproximadamente.
Era assim entre 1826 e 1917.
João teve certidão de nascimento. Maria não.
Quantas lágrimas João & Maria terão vertido?
Aos fatos e registros.
Cruel, não é mesmo? Palavras frias...
Até seu nome aparece errado em seu Atestado de Óbito. Pode?
ATESTADO DE ÓBITO DE MARIA ALVINA D´OLIVEIRA
(erroneamente anotado como LEOPOLDINA D’OLIVEIRA)
No livro número 02, às fls. 71, sob o número _____, encontra-se o termo de registro de Obitos
realizado na paróquia de Santana e constante do teor seguinte: – Aos vinte e quatro de agosto de
mil oitocentos e sessenta nesta Matriz encomendei solenemente o cadáver de D. Maria Leopoldina
d’Oliveira, branca, com edade de trinta anos mais ou menos, natural da freguesia de Nossa Senhora
dos Humildes, e casada com João Justiniano Ferreira Bastos; recebeo todos os sacramentos penitenciais
foi envolto de hábito preto e sepultou-se no cemitério desta freguesia. E para constar mandei fazer
esse e assigno. Pe. Valverde.
A morte é uma companhia triste que tive por 46 anos no século 19 e por 39 anos no século 20.
Difícil verter em lágrimas.
Julgo, de certa forma, que a sequência de falecimentos fortaleceu meu espírito e promoveu receitas
para preservar meu corpo e minha mente sãs.
A LAGOA ME ENCANTA
Desconheço a data certa da poesia abaixo. Sei que é baseada em crença do povo do sertão. Se a escrevi, antecipo para você, que me lê.
CHORO DOS PAGÃOS


CRENDICE POPULAR
Na lagôa distante escuta-se, plangente,
Um côro que se evola ao ar lugubremente.
Parece que, de plano, a orchestra suspirosa
De noite se abrigou à sombra vaporosa.
É humido o ambiente: em frisos a neblina
Os plainos embranquece, e os cimos da collina,
A solidão envolve a terra, os ares, tudo;
A vida já fugiu, o campo é quedo e mudo.
Porem, o mésto côro expande-se, constante,
Em febril diapasão, na lagôa distante.
Na roça, junto ao fogo, a velha narra crente,
A causa de se ouvir, em à solidão,
Em hora tão tristonha, chôro commovente.
A neta lhe prestava a mais viva atenção:
“Aquillo que se escuta além, tão tristemente,
“Aquella voz sentida é choro de pagão.
“Quando um menino nasce, e morre sem poder
“Nas aguas se immergir do baptismo sagrado,
“Sua alma o bom Jesus não póde logo ver! ...
“Então da cova fria, afflicto, torturado,
“Chora o menino: a gente a Deus ha- de fazer
"Preces para o tirar daquele negro estado ...”
A neta resou logo ardente “ave-maria”
Do condenado em prol, que não viveu um dia.
A avó, ao vel-a assim resando fervorosa, Lhe disse:
“Bem depressa a corte gloriosa
Dos céos receberá o infante redimido
“Pela oração! Que oude ser ouvido,
“Em noite tão fechada, à hora tão tardia!
“Se o choro não se escuta, então bem mau seria!
E emquanto se agasalha aquella gente boa,
Crente do beneficio há pouco praticado,
Continuam as rãs, nas aguas da lagôa.
A coaxar sem fim, monótono, rachado.
Filinto Bastos (Bahia)
MEU IRMÃO (?)
Como juiz, faço questão de ressaltar um detalhe no testamento de meu pai. Está escrito:
– Deixou 500$000 para Honório Ferreira Bastos, filho natural de Felismino de Cerqueiro, sem dizer se era ou não seu filho.
Há mais um detalhe:
– (...) a quantia de quinhentos mil réis para Honório Ferreira Bastos deverá ser entregue em caso de sua maioridade apenas, por seu testamenteiro ou inventariante –
e se este demonstrasse ‘boa índole’. Caso contrário essa quantia seria dada aos seus dois filhos Elvira e Filintho ou suas descendências.
Era meu irmão?
Por onde andará a família de Honório?